"MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA" FAZ APRESENTAÇÕES NO TEATRO CACILDA BECKER
Com atuação de Beatriz Belintani e direção de Fabiana Monsalú, o espetáculo reflete sobre a liberdade além das convenções e vícios do pensamento centrado no binarismo sexual

Em uma investigação sobre a liberdade dos corpos no teatro contemporâneo, a atriz e dramaturga Beatriz Belintani e a diretora e encenadora Fabiana Monsalú, da CompanhiaDaNãoFicção, criaram a peça-palestra Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha.
O solo tem como mote a afirmação da pensadora Monique Witing “lésbicas não são mulheres” e convida o público para uma imersão sensível e poética. A partir de conceitos e teorias do feminismo e pensamento queer, a peça propõe um exercício radical de imaginação acerca das perspectivas de “(con)vivência”, afeto e liberdade.
A partir das provocações que a performance vem fazendo ao teatro ao longo dos anos, esta peça-palestra constrói um campo auto ficcional, a partir de documentos, relatos autobiográficos, teoria queer e feminismos para investigar o corpo lésbica na sociedade. Tendo a travessia das tartarugas marinhas como metáfora de sobrevivência e resistência, a obra propõe uma experiência poética que imagina futuros possíveis marcados pelo afeto, pela igualdade e pela liberdade.
“O que é a mulher? Pânico, alvoroço geral de defesa ativa. Francamente, esse é um problema que as lésbicas não têm, graças a uma mudança de perspectiva, e seria incorreto dizer que as lésbicas se associam, fazem amor, vivem com mulheres, pois “a mulher” só tem sentido nos sistemas heterossexuais de pensamento e nos sistemas econômicos heterossexuais.”, diz Monique Wittig
A direção propõe um jogo cênico entre o corpo da atriz e a metáfora das tartarugas marinhas e sua luta pela sobrevivência, compondo uma dramaturgia além das palavras. A cena amplia a discussão e sobrepõe camadas de sentido através da cenografia, da luz, do som, do videomapping e da câmera ao vivo. A escritura cênica é construída por meio da performatividade e de uma ética da alegria, levando o público a descobrir que o que está sendo levantado diz respeito a toda a humanidade.
“O trabalho nasce do desejo e da necessidade de existirmos livres de qualquer forma de controle social, cultural ou político. E, mais do que isso, de vivermos em uma espécie de alegria anárquica. Por isso, escolhemos esse ser que vive em alto-mar, zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum Estado”, explica a atriz e autora Beatriz Belintani.

A dramaturgia é alinhavada com fatos da história, depoimentos em verbatim, documentos e textos de autoras de diferentes territórios, criando um espaço de diálogo entre o perigo iminente e a aspiração por um futuro utópico. Entre essas pensadoras, estão Monique Wittig, Audre Lorde, Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler. Mais do que nunca, em tempos que correm, é necessário encontrar o coração das pessoas para fazer ecoar "uma visão de mundo pela qual as pessoas desejem viver em igualdade, liberdade e justiça", como afirma a norte-americana Judith Butler ao defender a necessidade de uma “contra imaginação”.
“O convite é para o público adentrar um campo de sensibilização estética. Não basta dizer, tudo já foi dito, mas propor um encontro em que as pessoas não se deparem com um tema, mas com o que ele causa. Clamar pela própria existência não é um tema, é um absurdo, uma tragédia! Não se trata de um drama. Trata-se de uma tragédia. Os corpos que passam por uma, não continuam da mesma forma. Eles passam por transformações profundas - tragédia. É necessário dinamitar as categorias, as ‘outrificações’ (para citar Gayatri Chakravorty Spivak), aquilo que nos impede de amar e dançar livremente”, acrescenta a diretora Fabiana Monsalú.
Sobre a CompanhiaDaNãoFicção
A CompanhiaDaNãoFicção é uma plataforma de investigação em artes cênicas que desde 2007 desenvolve uma pesquisa continuada sobre as fronteiras do teatro performativo, arte relacional e tecnologia, compreendendo a cena como um campo de afecção ética, estética e política. Ao longo de 19 anos de atuação, a companhia consolidou parcerias e intercâmbios com artistas e instituições do Uruguai, Costa Rica, Espanha, Itália e Portugal, ampliando sua pesquisa em diálogo com diferentes contextos culturais.
Sobre Beatriz Belintani - atriz e dramaturga
Artista e pesquisadora das artes cênicas. Bacharel em Comunicação Social e Marketing pela FAAP, técnica em Atuação pela SP Escola de Teatro e graduanda na Escola Superior de Artes Célia Helena. Transita entre as áreas de atuação e dramaturgia desde 2013 e de curadoria e pedagogia teatral desde 2017. É integrante da CompanhiaDaNãoFicção desde 2021 e dedica-se à criação, pesquisa e prática no teatro contemporâneo a partir da relação entre estética e política, com foco na performatividade.
Sobre Fabiana Monsalú - diretora e encenadora
Diretora, pesquisadora, atriz, curadora, preparadora de atores, fundadora da CompanhiaDaNãoFicção desde 2007 e docente da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH). Doutora em Estudos Artísticos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra – Portugal, onde foi aprovada com DISTINÇÃO pela tese "O Teatro Como Acontecimento Performativo e Arte Relacional: Estratégias para Decolonizar a Criação". Mestre em Artes Cênicas pela ECA – USP e Licenciada em Teatro pela UFBA.
QUEM FAZ
Direção e Encenação: Fabiana Monsalú (@fabianamonsalu)
Atuação e Dramaturgia: Beatriz Belintani (@beatrizbelintani)
Direção Vocal: Gabriela Flores
Direção de Movimento: Fabiana Monsalú
Cenografia e Vestuário: Fabiana Monsalú e Marcela Mattos
Videografia: Vic von Poser
Assistente de Videografia: Ricardo Kenji
Desenho de Luz: Gabriela Ciancio
Dramaturgia Sonora: Camila Couto
Operação de Vídeo: Vic von Poser e Ricardo Kenji
Operação de Luz: Gabriela Ciancio e Geovanna Moreira
Operação de Som: Lana Scott
Audiodescrição: Anderson Nepomuceno e Vanessa Oliveira
LIBRAS: Maré Dissidente
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
Produção: Corpo Rastreado - Letícia Alves
Realização: CompanhiaDaNãoFicção (@companhiadanaoficcao)
PROGRAME-SE
MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA
TEATRO CACILDA BECKER - R. Tito, 295 - Lapa - São Paulo/SP
05 a 08 de novembro de 2026
Quinta a sábado às 20h
Domingo às 19h
ACESSIBILIDADE (AUDIODESCRIÇÃO E LIBRAS):
07 e 08 de novembro (sábado e domingo)
VALOR DO INGRESSO:
Gratuito - Presencial - Distribuição 1 hora antes
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 198 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos distribuídos gratuitamente 1 hora antes do início de cada apresentação





Comentários