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"MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA" FAZ APRESENTAÇÕES NO TEATRO CACILDA BECKER

há 2 horas
4 min de leitura

Com atuação de Beatriz Belintani e direção de Fabiana Monsalú, o espetáculo reflete sobre a liberdade além das convenções e vícios do pensamento centrado no binarismo sexual

Foto: Camila Rios
Foto: Camila Rios

Em uma investigação sobre a liberdade dos corpos no teatro contemporâneo, a atriz e dramaturga Beatriz Belintani e a diretora e encenadora Fabiana Monsalú, da CompanhiaDaNãoFicção, criaram a peça-palestra Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha. 

 

O solo tem como mote a afirmação da pensadora Monique Witing “lésbicas não são mulheres” e convida o público para uma imersão sensível e poética. A partir de conceitos e teorias do feminismo e pensamento queer, a peça propõe um exercício radical de imaginação acerca das perspectivas de “(con)vivência”, afeto e liberdade.


A partir das provocações que a performance vem fazendo ao teatro ao longo dos anos, esta peça-palestra constrói um campo auto ficcional, a partir de documentos, relatos autobiográficos, teoria queer e feminismos para investigar o corpo lésbica na sociedade. Tendo a travessia das tartarugas marinhas como metáfora de sobrevivência e resistência, a obra propõe uma experiência poética que imagina futuros possíveis marcados pelo afeto, pela igualdade e pela liberdade.

 

“O que é a mulher? Pânico, alvoroço geral de defesa ativa. Francamente, esse é um problema que as lésbicas não têm, graças a uma mudança de perspectiva, e seria incorreto dizer que as lésbicas se associam, fazem amor, vivem com mulheres, pois “a mulher” só tem sentido nos sistemas heterossexuais de pensamento e nos sistemas econômicos heterossexuais.”, diz Monique Wittig

 

A direção propõe um jogo cênico entre o corpo da atriz e a metáfora das tartarugas marinhas e sua luta pela sobrevivência, compondo uma dramaturgia além das palavras. A cena amplia a discussão e sobrepõe camadas de sentido através da cenografia, da luz, do som, do videomapping e da câmera ao vivo. A escritura cênica é construída por meio da performatividade e de uma ética da alegria, levando o público a descobrir que o que está sendo levantado diz respeito a toda a humanidade.

 

“O trabalho nasce do desejo e da necessidade de existirmos livres de qualquer forma de controle social, cultural ou político. E, mais do que isso, de vivermos em uma espécie de alegria anárquica. Por isso, escolhemos esse ser que vive em alto-mar, zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum Estado”, explica a atriz e autora Beatriz Belintani.

Foto: Camila Rios
Foto: Camila Rios

A dramaturgia é alinhavada com fatos da história, depoimentos em verbatim, documentos e textos de autoras de diferentes territórios, criando um espaço de diálogo entre o perigo iminente e a aspiração por um futuro utópico. Entre essas pensadoras, estão Monique Wittig, Audre Lorde, Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler. Mais do que nunca, em tempos que correm, é necessário encontrar o coração das pessoas para fazer ecoar "uma visão de mundo pela qual as pessoas desejem viver em igualdade, liberdade e justiça", como afirma a norte-americana Judith Butler ao defender a necessidade de uma “contra imaginação”.


“O convite é para o público adentrar um campo de sensibilização estética. Não basta dizer, tudo já foi dito, mas propor um encontro em que as pessoas não se deparem com um tema, mas com o que ele causa. Clamar pela própria existência não é um tema, é um absurdo,  uma tragédia! Não se trata de um drama. Trata-se de uma tragédia. Os corpos que passam por uma, não continuam da mesma forma. Eles passam por transformações profundas - tragédia. É necessário dinamitar as categorias, as ‘outrificações’ (para citar Gayatri Chakravorty Spivak), aquilo que nos impede de amar e dançar livremente”, acrescenta a diretora Fabiana Monsalú.   

 

Sobre a CompanhiaDaNãoFicção

A CompanhiaDaNãoFicção é uma plataforma de investigação em artes cênicas que desde 2007 desenvolve uma pesquisa continuada sobre as fronteiras do teatro performativo, arte relacional e tecnologia, compreendendo a cena como um campo de afecção ética, estética e política. Ao longo de 19 anos de atuação, a companhia consolidou parcerias e intercâmbios com artistas e instituições do Uruguai, Costa Rica, Espanha, Itália e Portugal, ampliando sua pesquisa em diálogo com diferentes contextos culturais.


Sobre Beatriz Belintani - atriz e dramaturga

Artista e pesquisadora das artes cênicas. Bacharel em Comunicação Social e Marketing pela FAAP, técnica em Atuação pela SP Escola de Teatro e graduanda na Escola Superior de Artes Célia Helena. Transita entre as áreas de atuação e dramaturgia desde 2013 e de curadoria e pedagogia teatral desde 2017. É integrante da CompanhiaDaNãoFicção desde 2021 e dedica-se à criação, pesquisa e prática no teatro contemporâneo a partir da relação entre estética e política, com foco na performatividade.


Sobre Fabiana Monsalú - diretora e encenadora

Diretora, pesquisadora, atriz, curadora, preparadora de atores, fundadora da CompanhiaDaNãoFicção desde 2007 e docente da Escola Superior de Artes Célia Helena (ESCH). Doutora em Estudos Artísticos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra – Portugal, onde foi aprovada com DISTINÇÃO pela tese "O Teatro Como Acontecimento Performativo e Arte Relacional: Estratégias para Decolonizar a Criação". Mestre em Artes Cênicas pela ECA – USP e Licenciada em Teatro pela UFBA.

 

QUEM FAZ

Direção e Encenação: Fabiana Monsalú (@fabianamonsalu)

Atuação e Dramaturgia: Beatriz Belintani (@beatrizbelintani)

Direção Vocal: Gabriela Flores

Direção de Movimento: Fabiana Monsalú

Cenografia e Vestuário: Fabiana Monsalú e Marcela Mattos

Videografia: Vic von Poser

Assistente de Videografia: Ricardo Kenji

Desenho de Luz: Gabriela Ciancio

Dramaturgia Sonora: Camila Couto

Operação de Vídeo: Vic von Poser e Ricardo Kenji

Operação de Luz: Gabriela Ciancio e Geovanna Moreira

Operação de Som: Lana Scott

Audiodescrição: Anderson Nepomuceno e Vanessa Oliveira

LIBRAS: Maré Dissidente

Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)

Produção: Corpo Rastreado - Letícia Alves

Realização: CompanhiaDaNãoFicção (@companhiadanaoficcao)

 

PROGRAME-SE

MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA

 

TEATRO CACILDA BECKER - R. Tito, 295 - Lapa - São Paulo/SP

05 a 08 de novembro de 2026

Quinta a sábado às 20h

Domingo às 19h

 

ACESSIBILIDADE (AUDIODESCRIÇÃO E LIBRAS):

07 e 08 de novembro (sábado e domingo)

 

VALOR DO INGRESSO:

Gratuito - Presencial - Distribuição 1 hora antes

 

Classificação: 14 anos

Duração: 60 minutos

Capacidade: 198 lugares

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Ingressos distribuídos gratuitamente 1 hora antes do início de cada apresentação

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