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SOLO "ME CHAMA TRÊS VEZES (CALL ME TREE TIMES)" SERÁ APRESENTADO NA UNB

há 3 horas
3 min de leitura

Me Chama Três Vezes (Call Me Tree Times) é um solo de Katarina Lanier que joga com os limites da imagem, do corpo e da produção técnica em palco.

Divulgação
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Trata-se de uma exploração da performatividade do corpo da mulher através das imagens, da sua produção e da materialidade envolvida na criação de experiências poéticas. A peça recorre à utilização de instalações técnicas simples para construir um estúdio de audiovisual em palco: trabalhando com duas projeções de vídeo e uma câmara de transmissão ao vivo entre outros acessórios. 


Historicamente, alguns dos maiores poderes econômicos detidos pelas mulheres no mundo centravam-se nos seus corpos, no seu potencial de fertilidade, nas suas mãos e no seu trabalho físico. Hoje em dia, as mulheres avançaram significativamente do ponto de vista socioeconómico, provocando rupturas nos papéis de gênero e nas dinâmicas de poder do sexismo contemporâneo. Enquanto mulheres, somos, em alguns aspectos, mais livres do que nunca, mas por outro lado, estamos cada vez mais isoladas e sujeitas a novas formas, cada vez mais criativas, da violência de gênero. 


"A peça foi desenvolvida a partir de uma prática de investigação enquanto camgirl que desenvolvi ao longo de um ano e que me proporcionou uma perspectiva incorporada sobre a performance e a utilidade dos corpos das mulheres na atualidade digital. A performance trabalha com os limites das novas ferramentas que temos à nossa disposição para nos definirmos, levando sutilmente o público a perceber que a autossuficiência individual talvez não passe de um jogo de ilusões e aparências.", explica Katarina Lanier.


A força propulsora deste processo de criação é uma mulher jovem que quer estar no palco, o poder da expressão como força libertadora e a alegria da ação criativa. Nesse desejo, reside uma abordagem crítica à forma como os corpos das mulheres são constantemente controlados através de novas tecnologias (imagens, cirurgias, cosméticos, padrão social etc.). 


  • O que acontece quando uma mulher tem acesso a ferramentas estruturais — tais como iluminação, direção de palco e configurações técnicas — que são normalmente acionadas por homens? 

  • De que forma é que as mulheres têm vindo a conquistar os campos audiovisuais como realizadoras e argumentistas, como produtoras ou como especialistas técnicas nas últimas décadas? 

  • Como é fabricada a imagem de si e como é que os mecanismos do desejo se agarram a essas fabricações? 

  • E como é que isto nos pode inspirar a continuar criando? 


"Enquanto filha da diáspora bósnia (para os Estados Unidos) dos anos 1990, carrego no corpo conhecimentos técnicos móveis, próprios de quem está em deslocação geográfica, ou seja, sem os volumes e dimensões de quem trabalha em ateliês fixos.", comenta a artista. Esta adaptabilidade abre espaço para a improvisação e a intuição, que vão além do indivíduo, e se garantem como um modo de trazer o caminho no corpo diaspórico. 

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No âmbito da peça, são conduzidos laboratórios experimentais para artistas de diferentes origens, experiências e disciplinas. Nestes laboratórios, convido os participantes a explorar a experiência do movimento como força propulsora, o trabalho de câmara intuitivo e sensorial e a composição interdisciplinar. 


Na digressão pelo Brasil,  Katarina e o artista de Brasília Leo Shamah executam num workshop de dois dias, com a colaboração do Léo Lopes (Portugal), centrado no processo criativo e em estratégias para a internacionalização de artistas emergentes e independentes. 


Esta peça tem duas versões: uma para palco e uma para site-specific (jardins comunitários urbanos, armazéns, salas de aula etc).  Dentro do contexto da dança contemporânea, esta obra incorpora elementos cinematográficos. Esta peça surgiu no âmbito do Programa Avançado de Criação nas Artes Performativas 5 (PACAP 5). Ao longo deste processo, contei com o apoio artístico de João Fiadeiro, Carolina Campos, Daniel Pizamiglio e Miguel Pereira.


PROGRAME-SE

Me Chama Três Vezes (Call Me Tree Times)

Dia: 19 novembro 2026

Horário: 21h

Local: Departamento de Artes Cênicas (CEN) UnB, Sala BT 16.


 
 
 

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