USO DO TELÃO DO PALCO MUNDO DECEPCIONA NO ROCK IN RIO 2026
Nova estrutura de LED impressiona pelo tamanho, mas o excesso de visuais e efeitos durante os shows dificultou a visão de quem estava longe do palco

Confesso que fiquei muito empolgado quando o Rock in Rio anunciou a nova estrutura do Palco Mundo. Achei aquele tamanho de LED a coisa mais luxuosa e moderna do mundo. É uma estrutura que já impressionava pelas imagens e parecia ainda maior quando eu imaginava tudo aquilo funcionando durante os shows.
Logo na estreia desta edição, porém, começaram a aparecer notícias de artistas que não haviam preparado materiais específicos para o novo telão e apenas adaptaram o conteúdo feito para a versão anterior do palco. Eu já achei aquilo uma falta de consideração das equipes com o público.
Até que ontem fui ao Rock in Rio e finalmente vi a estrutura de perto.
É exatamente como eu imaginava: imensa e imponente. Antes das apresentações, o Palco Mundo recebe um institucional do festival com a participação da Esquadrilha da Fumaça, acompanhado por fogos, fumaça e uma trilha criada para aquele momento. Um espetáculo à parte!
O TELÃO PARECIA TER ESQUECIDO SUA FUNÇÃO MAIS BÁSICA
Já no primeiro show do Palco Mundo, da Luísa Sonza, que eu amo, veio a decepção que acabou se estendendo a outras apresentações do dia.
Fiquei com a impressão de que as equipes de arte se preocuparam tanto em usar o telão para mostrar conceito, identidade e tecnologia que esqueceram sua função mais básica: ajudar o público que está longe a enxergar o artista.
Talvez me falte repertório cultural para entender a identidade visual do show da Luísa Sonza, mas os vídeos exibidos não fizeram sentido nenhum para mim. Havia muitas imagens conceituais, frases, efeitos e elementos gráficos ocupando uma estrutura gigantesca enquanto a cantora, para quem estava distante, continuava sendo uma pessoa minúscula no palco.
Quando apareciam imagens do show, ainda eram aplicados efeitos sobre a transmissão das câmeras. Aquilo me lembrou de quando eu tinha 12 anos e estava aprendendo a editar vídeos no Movie Maker. Era efeito em cima de efeito apenas para mostrar que eu sabia colocar.
GILBERTO GIL E ELTON JOHN APROVEITARAM MELHOR A ESTRUTURA
Gilberto Gil e Elton John fizeram um uso muito melhor do telão, ainda que, em alguns momentos, os visuais também tenham se sobreposto às imagens dos cantores.
Gil apresentou, de longe, a melhor utilização da tecnologia entre os shows que acompanhei. As artes ajudavam a construir a identidade de cada momento, mas havia espaço suficiente para que o público também pudesse vê-lo no palco.
Elton John encontrou outra solução. Quando a parte da frente estava tomada por elementos visuais, as imagens das câmeras eram projetadas no fundo do palco. Assim, o show continuava tendo uma direção artística elaborada sem transformar o cantor em um detalhe escondido no meio do cenário.
CONSEGUIR VER O ARTISTA É O MÍNIMO
Evidentemente, nada disso se compara à emoção de estar presente no Rock in Rio. Ver aquela estrutura, acompanhar tantos artistas importantes no mesmo dia e participar da atmosfera do festival continua sendo uma experiência gigantesca.
Mas faltou às equipes esse cuidado com quem estava distante. Diante do Palco Mundo existe uma multidão, e boa parte dela depende do telão para conseguir acompanhar expressões, movimentos e detalhes que seriam impossíveis de enxergar a olho nu.
Um telão daquele tamanho permite criar mundos, contar histórias e transformar completamente a estética de uma apresentação. Só não pode esquecer de mostrar o show.
QUEM FAZ?
Festival: Rock in Rio
Idealização: Roberto Medina
Realização: Rock World
Edição: Rock in Rio 2026
PROGRAME-SE
Rock in Rio 2026
Próximas datas: 11, 12 e 13 de setembro
Local: Cidade do Rock, Rio de Janeiro
Programação completa: site oficial do Rock in Rio





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