CARTA ABERTA AO GREGÓRIO DUVIVIER
- Pedro Henrique de Freitas
- há 1 dia
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 horas
Algumas pessoas a gente acompanha por tanto tempo que parece que já conhece

Oi, Gregório, tudo bem?
Ontem, finalmente, tive a oportunidade de assistir a “Céu da Língua” aqui em Goiânia e foi exatamente como eu imaginava que seria: confirmou o quanto você é talentoso, o quanto seu texto é espetacular e o quanto consegue prender a atenção da plateia.
E, para deixar tudo ainda melhor, consegui te encontrar depois da peça, pegar um autógrafo e tirar uma foto.
Nesse caso, não aconteceu exatamente como eu imaginava.
Em tempo: você está presente no meu “Olimpo da Admiração”. Junto com Xuxa, Sandy, Fernanda Torres, Fábio Porchat, Paulo Vieira e alguns outros deuses. Então eu tinha muita coisa para dizer. Queria demonstrar minha admiração e contar o quanto acompanho sua carreira.
Não sei exatamente quando isso começou, mas lembro que foi por alguma das suas entrevistas no Programa do Jô. Eu amava seus textos, recitava vários deles e meu sonho era assistir a “Uma Noite na Lua”. Mas era difícil a vida de pobre no interior.
Ainda não sou rico, mas agora moro na capital. Alguma coisa melhorou.
Lia sempre sua coluna na Folha, era meu compromisso de toda segunda. Em um dos textos, você escreveu sobre a Fernanda Torres. Foi praticamente uma metalinguagem do meu Olimpo da Admiração. Inclusive, quero agradecer porque, quando a Folha resolveu fechar a coluna para assinantes, você postou sua senha no Twitter. Rsrs.
Fiz todos os meus amigos assistirem a “Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo”. E sempre que alguém via que você estaria em algum programa de televisão, dava um jeito de me avisar. Posso afirmar, com uma margem de erro bem pequena, que assisti a praticamente tudo que você fez na TV aberta.

Com o boom da TV por assinatura, tive acesso ao “Fantástico Mundo de Gregório” e consegui maratonar os episódios que nunca tinha visto. E, claro, vejo tudo do Porta dos Fundos. Nesse caso é tudo mesmo, não apenas as suas participações.
Greg News, esquetes, entrevistas, quadros, especiais, Não ImPorta. E o Calma Urgente, que não é do Porta, mas eu sinto como se fosse um filho desgarrado do Greg News.
O fato é que você esteve tão presente na minha vida que, de certa forma, desenvolvi aquela sensação de intimidade que a gente cria com alguém que acompanha há muitos anos.
Eu admiro todos os seus trabalhos, sua forma de se expressar e de ver a vida, seu posicionamento político, sua curiosidade e o quanto você é aberto a conhecer e valorizar assuntos da cultura popular.
Não é sempre que alguém explica decassílabas com “Do nada eu apareço na balada”.
E admiro muito essa capacidade de transformar praticamente qualquer coisa no assunto mais interessante do mundo.
Admiro até sua falta de memória, que quase sempre faz você esquecer se determinado assunto já foi falado ou não no Não ImPorta. Geralmente já foi. Mas a gente gosta de ouvir você contar de novo.
Inclusive, gosto de pensar que isso ajuda a gente a compreender como funciona a cabeça de um gênio: lembra de poesia, literatura, história, política e de informações que ninguém mais armazenaria, mas não necessariamente de uma história que contou há três episódios.
Tenho uma melhor amiga há 20 anos e, na nossa cabeça, nossa dupla é igual a você e o João Vicente.
O problema é que ela jura que ela é o Gregório da dupla. Eu também acho que sou.
Ainda não chegamos a uma definição. Se algum dia houver consenso, eu te aviso.
Eu queria falar tudo isso. Queria dizer o quanto te admiro, o quanto acompanho sua carreira e quantas vezes seus trabalhos apareceram em diferentes momentos da minha vida.
Tinha tanta coisa para declarar. Mas, quando recebi aquele abraço que eu esperava havia anos, petrifiquei.
E apenas disse:
“Meu nome é Pedro Henrique.”
Programe-se
O quê: O Céu da Língua, com Gregório Duvivier
Onde: Em turnê pelo Brasil
Quando: Confira as próximas datas e cidades no Instagram oficial do espetáculo: @ceudalingua.
Quem faz
Texto: Gregório Duvivier e Luciana Paes
Atuação: Gregório Duvivier
Direção: Luciana Paes
Visual e projeções: Theodora Duvivier
Música: Pedro Aune
Cenografia: Dina Salem Levy
Produção: Padrok



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