MOSTRA APRESENTA ESCULTURAS TÊXTEIS PARA PROTEGER OS CORPOS CONTEMPORÂNEOS
- Josuel Junior - Editoria
- há 4 dias
- 3 min de leitura
Exposição "Arquiteturas Corporais", da artista visual Susane Kochhann, será aberta no sábado (10), às 11h, no Museu de Arte do Paço, em Porto Alegre

A artista visual Susane Kochhann apresenta no Museu de Arte do Paço a exposição “Arquiteturas Corporais”, resultado de sua mais recente pesquisa no campo do têxtil. Ela exibe, em uma instalação, 13 esculturas têxteis - também chamadas de armaduras. A curadoria da mostra é de Fábio André Rheinheimer.
Cada escultura têxtil ou armadura mede em média 2,10 x 1,50m e é confeccionada em algodão cru e retalhos de tecidos sintéticos reaproveitados, alinhando-se aos princípios da economia circular. “As armaduras em forma de esculturas têxteis impõem-se no espaço como uma presença ao mesmo tempo monumental e sensível”, avalia Susane, profissional com carreira afirmada em Santa Maria (RS) e em ascensão no estado – ela formou-se em Artes Visuais pela UFSM em 2016.
Sua atual coleção teve início com uma pesquisa imagética baseada no Construtivismo Russo, movimento artístico que sempre a inspirou por explorar formas geométricas, cores vibrantes e a integração entre arte, design e vida cotidiana. A partir desse legado, construiu cada traje - outra denominação dada às peças - por meio da justaposição de recortes geométricos coloridos que, ao se encontrarem, estabelecem tensões, equilíbrios e ritmos visuais. Assim, opina a artista, as armaduras deixam de ser meros objetos de proteção e tornam-se arquiteturas corporais que evocam energia, movimento e transformação.

Ela lembra que o uso de armaduras acompanha a humanidade desde a Antiguidade. “O imaginário comum associa o termo ao metal, mas armaduras são, em essência, qualquer vestimenta concebida para oferecer proteção ampliada ao corpo, uma segunda pele capaz de resguardar, amortecer impactos e simbolizar força”, explica Susane. “Nas artes visuais, essas estruturas protetivas aparecem como signos de poder, autoridade e resistência”, observa.
De acordo com a artista, os trajes que apresenta expandem essa compreensão. “Concebi as peças como armaduras de proteção para o corpo contemporâneo: o corpo que enfrenta pressões materiais e biológicas, o corpo que persiste, que resiste, que se afirma. São esculturas têxteis que operam simultaneamente como vestimentas e escudos”, detalha.
“Entre tradição e reinvenção, proponho uma reflexão sobre aquilo que nos protege — física, simbólica e emocionalmente — e sobre como o corpo, em sua vulnerabilidade e potência, continua sendo, para mim, o primeiro e o último território de resistência”, conclui Susane.
Associação entre arte e moda
Em seu texto curatorial, Fábio Rheinheimer reforça que a artista evoca a tradição ancestral de abrigo e proteção, diante dos desafios iminentes e perigos externos aos quais o corpo é submetido desde os primórdios.
Na atualidade, ressalta o curador, as armaduras poéticas oportunizam pontual reflexão sobre a ressignificação do fazer artístico a partir da associação entre arte e moda, sob livre orientação de elementos de composição iconográficos do Construtivismo Russo, no caso. “Portanto, segundo a transversalidade do conhecimento aplicado na produção artística”, sublinha Rheinheimer.

PROGRAME-SE
Exposição: “Arquiteturas Corporais"
Artista: visual: Susane Kochhann
Curador: Fábio André Rheinheimer
Abertura: 10/01 (sábado), às 11h
Visitação: de 12/01 a 6/3, de segunda a sexta, das 9h às 17h
Museu de Arte do Paço, Praça Montevidéu, 10, Centro Histórico de Porto Alegre
Entrada gratuita
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Fotos: Júlia Gomes
Legenda: Artista posa com peça concebida por ela






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