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ESPETÁCULO "A CHORONA" SERÁ APRESENTADO NO TEATRO DOS VENTOS, EM ÁGUAS CLARAS

há 58 minutos
3 min de leitura

Coletivo Arar - Afeto, Resistência e Arte apresenta seu novo espetáculo em duas apresentações gratuitas

Espetáculo "A Chorona" - Foto de Isabela França
Espetáculo "A Chorona" - Foto de Isabela França

Maria Agonia nasceu para chorar. É a última herdeira de uma linhagem de carpideiras, e cresceu vivendo como ofício o choro em velórios e enterros. Ela faz da reza um caminho, e da despedida um gesto de amor. A Chorona é o novo espetáculo do Coletivo ARAR - Afeto, Resistência e Arte; e conta a história da mulher que um dia se vê incapaz de chorar e parte em busca do retorno de suas lágrimas.


A peça estreia no dia 31 de outubro, sábado, às 20h no Teatro dos Ventos, em Águas Claras, e tem nova sessão às 17h de domingo, com acessibilidade em audiodescrição e Libras - Língua Brasileira de Sinais. Ambas as apresentações têm entrada gratuita. Os ingressos já estão disponíveis. 


Entre cantos, ladainhas e memórias, Maria Agonia acompanha os mortos em sua última travessia enquanto acolhe a dor dos que ficam. Mas, um dia, as pessoas em sua cidade param de morrer, e A Chorona se vê secar. O espetáculo, em um primeiro momento, traz atmosfera leve, cômica, curiosa. Mas à medida que busca as lágrimas que lhe escapam, Maria Agonia descobre que há choros que não pertencem apenas a uma pessoa, mas a uma comunidade inteira. 


Tradição Popular - As carpideiras são mulheres contratadas para lamentar e demonstrar tristeza em velórios e funerais, muitas vezes assumindo o papel de representar publicamente o sentimento da família enlutada. Um ofício comum em cidades interioranas brasileiras que vem se perdendo com o passar do tempo. A Chorona se inspira nessa tradição histórica e cultural como ponto de partida para acessar outros temas. 


O dramaturgo e diretor Vinícius Ávlis explica que o espetáculo surgiu com o objetivo inicial de, a partir da tradição das carpideiras, falar de fundamentalismo religioso e questões políticas que vão contra as existências das minorias sociais. No entanto, no decorrer do estudo das relações entre tradição e contemporaneidade, a obra se redesenhou e passou a tratar de feminicídio: “Buscamos entender como se dá relação de uma personagem tradicional ao se deparar com essa situação cruel do Brasil de hoje, e como o trabalho dela está sendo pensado agora, nesse contexto"; explica. No trabalho de pesquisa para construção da personagem, a atriz Irina Buss chegou a registros sobre a profissão de carpideira até na Coreia do Sul. Além de fazer, ao lado do diretor, um mapa da personalidade da personagem com seus sonhos e desejos, orgulhos e seus medos; Irina buscou também histórias reais. “Ouvi muitos relatos de pessoas mais velhas que acabavam acompanhando velórios nas casas em cidades do interior, o que rendeu boas imagens para levar para o espetáculo”, lembra.


Referência e reverência - A escritora Conceição Evaristo é uma inspiração direta para A Chorona: o nome da personagem, Maria Agonia, vem do conto Ana da Venga, presente no livro Olhos d’Água - obra que marcou o dramaturgo Vinícius Ávlis. “Decidi colocar o nome da personagem também como homenagem à própria Conceição e ao trabalho dela, que me guia muito nos meus processos", diz.


A Chorona traz dualidade entre a comédia e a tragédia, que se traduz não apenas no texto. “Trabalhamos também na construção da fisicalidade, para trazer um corpo que é pensado para o cômico e também para o estado trágico",lembra. 


Espetáculo "A Chorona" - Foto de Isabela França
Espetáculo "A Chorona" - Foto de Isabela França

Mais do que riso e choro, o espetáculo busca provocar no público a mobilização. “Espero que a plateia saia reflexiva e que a peça possa reverberar transformação. A luta contra o feminicídio é uma luta diária e coletiva"; alerta Ávlis.


Maria Agonia é uma sobrevivente, tanto na batalha para manter o próprio legado, quanto no combate diário à violência contra a mulher e o feminicídio. Entre o riso e a comoção, A Chorona é um canto sobre a memória, a delicadeza de sentir e a urgência de não permitir que a morte se torne silêncio.


PROGRAME-SE

A CHORONA - monólogo de Irina Buss, com direção e dramaturgia de Vinícius Ávlis.

Dias 31/10, sábado às 20h e 01/11, domingo às 17h*

Local: Teatro dos Ventos - Rua 19 Norte, Águas Claras 

Classificação indicativa: 14 anos


*Sessão de domingo às 17h com acessibilidade em Audiodescrição e Libras

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