A INDOMADA DE VOLTA - RELEMBRE PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA NOVELA

Clássico dos anos 90 está de volta através do streaming. Muita gente lembra do dialeto nordestino e inglês, do Cadeirudo e da abertura, mas "A Indomada vai muito além disso. O Portal Conteúdo lista pontos positivos e negativos da novela.


Quando "A Indomada" estreou em 1997, o último exemplo de realismo fantástico que tínhamos visto na TV havia sido "Pedra sobre Pedra", dois anos antes, no Vale a pena ver de novo. "Fera Ferida", a última trama inédita do gênero, havia sido exibida em 1993.


A novela estreou com requinte... Uma película diferente no primeiro capítulo, algo meio embaçado que mostrava as imagens de Pernambuco. Bem bonito mesmo. Outra novidade era a presença de Adriana Esteves. Após um tempo afastada da Globo, a atriz retornava de maneira triunfal.


A história se passava na fictícia Greenville, ocupada pelos ingleses. Na primeira fase, Eulália se apaixona pelo cortador de cana Zé Leandro (Carlos Alberto Riccelli) e sofre rejeição da família. Grávida, ela foge das ameaças do irmão, Pedro Afonso (Cláudio Marzo), e da cunhada, Altiva (Eva Wilma). Anos depois, Lúcia Helena, filha de Eulália, volta à cidade para reconquistar o patrimônio da família, perdido para o forasteiro Teobaldo Faruk (José Mayer). Helena decide reabrir a antiga usina da família e enfrentar armações da tia Altiva.


Escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares, a novela usava os mesmos artifícios de "Roque Santeiro", "Tieta" e "Pedra sobre Pedra", mostrando embates entre beatas e prostitutas (uma fórmula que sempre rendeu cenas de humor). O tom cômico vinha também na prosódia: as personagens misturavam o sotaque pernambucano com frases em inglês, como “Well!”, “Oxente, my God!” e “Tudo all right”. Agora, que a novela retorna, o Portal Conteúdo lista alguns pontos positivos e negativos dela...


PONTOS POSITIVOS


Personagens-Tipo: "A Indomada" trouxe à tona personagens com características bem marcadas. Algumas com alguns estereótipos que eram bem aceitos pelo contexto da obra. Destaque para Florência (Neuza Borges), Juíza Mirandinha (Betty faria), Zenilda (Renata Sorrah), Emanuel (Selton Mello), Pitágoras (Ary Fontoura) e a vilã Altiva (Eva Wilma);


Trilha Incidental: Os efeitos sonoro da novela tinham o tom certo para o humor, desde o som de águia quando Altiva passava raiva, aos barulhos que complementavam a interpretação dos atores. Toda vez que o padre Joseph tomava álcool, sons de sino eram tocados na edição, por exemplo;


O Cadeirudo: Personagem assustador que atacava as mulheres em noites de lua-cheia;


As cenas antológicas:

A morte de Zé Leandro quando tenta fugir com a família, carregando as pedras preciosas;

A morte de Eulália, numa cena emocionante entre Adriana Esteves e Leandra Leal;

A morte e o velório de Florência, que vai da tristeza para o humor quando a personagens ressuscita, deixando Altiva desesperada;

A morte de Hércules, num efeito especial da bala em câmera lenta (aquilo nunca havia acontecido na TV);

A viagem de Delegado Motinha, que é empurrado pela primeira num buraco sem fim e vai parar no Japão (sério... isso foi maravilhoso);

A Lua-cheia dupla, que mexeu com muitas personagens da cidade;

O envenenamento da Juíza Mirandinha, que come bombons e fica com o corpo verde;

O Raio Divino invocado por Altiva que cai na cabeça dela (são duas cenas do raio... na primeira ela destrói um casamento e na segunda ela é a vítima de sua própria praga);

A chegada da família de Hércules ao casarão de Altiva;

A virada de jogo de Dorothy e Cleonice, da família Maquenze;

Todos os ataques do Cadeirudo e a Captura do Cadeirudo, num levante feminino maravilhoso;

A morte de Altiva e sua risada em meio à nuvem de fumaça;

A ascensão do Anjo Emanuel;


PONTOS NEGATIVOS


As tramas secundárias medianas, como a de Sérgio Murilo (Cássio Gabus Mendes), que nunca mostrou a que veio. Ele comete estelionato contra Dinoráh (Carla Marins) para conseguir que ela doe seu rim; A saída de cena da personagem Paraguaia (Yngra Liberato), que pareceu algo feito às pressas; As armações sem fim do prefeito Ypiranga (Paulo Betty) - em determinado momento da trama, os autores e o ator exageraram no tom.


A não explicação do porquê de o Cadeirudo atacar - No resumo da novela e nas revistas de fofoca, há a explicação de que Lurdes Maria (Sônia de Paula) resolveu atacar as mulheres de Greenville a mando de Altiva para que elas tivessem bons modos e ficassem em casa em vez de vagarem pela madrugada. A explicação é coerente, mas isso não foi exibido na novela. A personagem apenas disse que não iria mais atacar ninguém e ponto. Faltou a justificativa.


No instagram, inclusive, há várias fotos dos bastidores com diferentes atores vestidos de Cadeirudo gravando a mesma cena de revelação na delegacia. Aliás, quem interpretava o Cadeirudo de verdade era o bailarino Jandir Di Angelis, contratado especificamente para as cenas do tarado noturno. Na época, ele não pode dar entrevistas. Hoje, pelas redes sociais, o artista brinca com o fato de ter sido o verdadeiro intérprete.

Jandir Di Angelis - Redes Sociais

A trama X O título! A novela "A Indomada" traz Lúcia Helena como alguém indomável, mas na novela ela foi domada sim pelo machismo de Teobaldo. Não houve um mote de transformação da heroína na segunda fase. Ela se mostrou mais frágil do que provocadora. Embora houvesse a briga de gato-e-rato entre ela e o marido, o andamento de sua jornada não faz jus ao título, que é muito bom.


"A Indomada" entrou no catálogo do Globoplay e poderá ser assistida na íntegra pelos assinantes. São 203 capítulos disponibilizados na íntegra. Vale muito a pena ver!

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