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PEÇA DE TEATRO DE RUA, "O ÁBACO", CELEBRA DOIS ANOS COM APRESENTAÇÃO ESPECIAL EM GOIÂNIA

Grupo de teatro Fruta Bruta transforma textos clássicos da literatura em comédia de improviso para apresentação gratuita na Praça Universitária

Danilo Chaves e Ramon Teles. Foto: Daniel Bandeira
Danilo Chaves e Ramon Teles. Foto: Daniel Bandeira

O coletivo goiano Fruta Bruta apresenta a peça de teatro O Ábaco no dia 26 de abril, na Praça Universitária, às 16h em Goiânia. Essa é uma apresentação comemorativa de dois anos do espetáculo de rua, com acesso gratuito.


Inspirado no teatro medieval, na commedia dell’arte e no teatro de revista brasileiro, o espetáculo é baseado nos clássicos O Menino e o Cego e A fome do zé-ninguém, de autores anônimos, e O Artista da Fome, de Franz Kafka. Os textos são adaptados para uma dramaturgia contemporânea, combinando humor e interação com a plateia para resgatar tradições do teatro popular e aproximar diferentes públicos da arte cênica.


Com direção artística de Daniella Chaves, a narrativa conta a história de um espertalhão que vê em um ingênuo uma oportunidade de ganhar dinheiro. Os personagens são interpretados por Danilo Chaves e Ramon Teles. “Eu não sou o tipo de artista que pensa apenas na parte estética. Eu penso na parte prática”, diz Danilo sobre a facilidade dos espaços públicos. “Conhecendo as possibilidades que a gente tinha aqui (em Goiânia), eu não queria depender de espaços de apresentação. Os espaços teatrais em Goiânia foram sendo fechados nos últimos cinco anos, então eu não queria depender”, completa.


O espetáculo conta com música ao vivo ao som de ukulele, gaita, escaleta e até uma campainha, tocados por Denis Fontenele. Não existem falas pré-determinadas pois o show é de improviso. Os atores seguem apenas um roteiro base, criando cenas instantâneas, o que torna cada apresentação única.


ACESSO FACILITADO À CULTURA

A peça feita na rua torna o teatro acessível a faixas da população que, de outra forma, não teriam contato com a arte. “Um dos objetivos da Fruta é chegar ao público”, explica Danilo. “Se o ingresso é caro demais, nem todo mundo vai ter acesso àquele espetáculo. Os espaços teatrais em Goiânia são todos no Centro, e aí eu sempre penso naquela questão da pessoa que trabalha no Centro, volta para a periferia, depois de um dia todo trabalhando, e aí ela vai se animar a sair da casa dela para vir para o teatro de noite? É uma falta de acessibilidade. O fato de O Ábaco ser um espetáculo de rua transita muito bem com essa acessibilidade. A gente sempre fez uma apresentação numa região central e uma apresentação numa região periférica, para poder quebrar essa questão”, diz Danilo.


Segundo números da pesquisa Hábitos Culturais, feita em 2025 pelo Observatório Fundação Itaú e com apoio técnico do Datafolha, existe uma grande desigualdade de acesso ao teatro entre as classes sociais. Nas populações das classes D/E, o comparecimento em atividades culturais presenciais é de 71%, enquanto nas classes A/B chega a 93%. Especificamente no teatro, essa diferença aumenta em 28%, em favorecimento às populações com maior poder de consumo.


ROUPAGEM TROPICALISTA

O texto e a estética de O Ábaco tomam emprestada a estética tropicalista, um movimento cultural brasileiro de vanguarda do final dos anos 1960. Esse estilo ficou conhecido por misturar cultura pop nacional e estrangeiro com elementos culturais tradicionais de nosso país. Isso lhe deu uma de suas maiores marcas, a “antropofagia cultural”.


DOIS ANOS DE RUAS

“Foram 34 ensaios antes da estreia de O Ábaco”, relembra Danilo. “Eu sou muito ansioso! É sempre aquela coisa: se não for ninguém, ‘ai, que horrível, não foi ninguém’. Mas e se o povo for, eles vão ver!  E aí a gente estreou na Praça Cívica, e tinha muita galera, tinha uma galera boa! Deu tudo certo demais!”, diz ele.


Essa será a 23ª apresentação de O Ábaco. Além de Goiânia, a peça também já foi apresentada em Anápolis e Morrinhos. Em um momento em que muitas produções culturais estão concentradas em espaços fechados ou digitais, iniciativas como esta recolocam o teatro no espaço público, aproximando artistas e espectadores.

PROGRAME-SE

26 de abril, às 16h

Praça Universitária - Goiânia.

Acesso Gratuito.

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