"MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA" - ESPETÁCULO ENTRA EM CARTAZ NO TEATRO ARTHUR AZEVEDO
Com atuação de Beatriz Belintani e direção de Fabiana Monsalú, o espetáculo coloca no foco da cena o corpo da lésbica na sociedade

Em uma investigação sobre a proposição de uma estética lésbica no teatro contemporâneo, a atriz e dramaturga Beatriz Belintani e a diretora e dramaturgista Fabiana Monsalú, da CompanhiaDaNaoFicção criaram "Meu Corpo em Terra Corre Para o Mar Como Tartaruga Marinha".
O solo tem como mote a afirmação da pensadora Monique Witing “lésbicas não são mulheres” e convida o público para uma imersão sensível e poética, um exercício radical de uma contra-imaginação acerca das perspectivas de “(con)vivência”, afeto e liberdade e conceitos do feminismo e da teoria queer.
A direção propõe um jogo cênico entre o corpo da lésbica na sociedade e a luta pela sobrevivência das tartarugas marinhas como metáfora desse corpo e sua maneira de sobreviver, já que esses animais nascem na terra e imediatamente correm para o mar para viver sua liberdade.
“O trabalho nasce do desejo e da necessidade de existirmos livres de qualquer forma de controle social, cultural ou político. E, mais do que isso, de vivermos em uma espécie de alegria anárquica. Por isso, escolhemos esse ser que vive em alto-mar, zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum Estado”, explica a atriz e autora Beatriz Belintani.
A escritura cênica é alinhavada com fatos reais da história, depoimentos em verbatim e textos de autoras latino-americanas, europeias e norte-americanas, criando um espaço de diálogo entre o perigo iminente e a aspiração por um futuro utópico. Entre essas pensadoras, estão Monique Wittig, Audre Lorde, Gayle Rubin, Jota Mombaça, Simone de Beauvoir, Verónica Gago e Judith Butler.

Mais do que nunca, em tempos que correm, é necessário encontrar o coração das pessoas para fazer ecoar "uma visão de mundo pela qual as pessoas desejem viver em igualdade, liberdade e justiça", como defende a norte-americana Judith Butler. Por isso, a dramaturgia da imagem propõe ao espectador a experiência de uma contra imaginação.
“A visibilidade lésbica ainda está à margem das discussões identitárias e de diversidade, mesmo no campo das artes, por isso, a discussão é urgente e pungente na atualidade e pede constante atualização através do pensamento e da sensibilização poética, produzindo outros imaginarios”, acrescenta a diretora Fabiana Monsalú.
Em cena, o corpo da atriz, a dramaturgia da luz e do som, o vídeo mapping e a câmera ao vivo compõem uma dramaturgia para além da palavra. Por meio da performatividade e de uma ética da alegria, a cena amplia a discussão e desperta os sentidos para descobrir que o que está sendo levantado diz respeito a toda a humanidade.
A partir das provocações que a performance vem fazendo ao teatro ao longo dos anos, esta peça-palestra constrói um campo auto ficcional, a partir de documentos, relatos autobiográficos, teoria queer e feminismos para investigar o corpo lésbica na sociedade. Tendo a travessia das tartarugas marinhas como metáfora de sobrevivência e resistência, a obra propõe uma experiência poética que imagina futuros possíveis marcados pelo afeto, pela igualdade e pela liberdade.
Sobre Beatriz Belintani - atriz e dramaturga
Artista da cena e pesquisadora, transita entre as áreas de atuação e dramaturgia e dedica-se à criação, pesquisa e prática do teatro contemporâneo com foco na performatividade. Entre seus trabalhos mais recentes recentes estão a peça-palestra “Meu Corpo em Terra corre para o Mar como Tartaruga Marinha” da CompanhiaDaNãoFicção, como atriz e dramaturga, que segue em circulação; “Eu Amo Chris - Uma pequena coleção de fracassos” (2023), como atriz-criadora junto ao coletivo Coletivo Teatro Dodecafônico, que segue em circulação; a criação e apresentação do podcast “Dramaturgia Expandida” (2023) no spotify; a curadoria do Amoreiras Amoreiras - Festival LGBTQIA+ do Vale do Paraíba (1ª edição em 2022 e 2ª edição em 2025); a experiência auditiva binaural “Fim de Festa: Um mergulho para remixar a realidade” (2021) da CompanhiaDaNãoFicção, como assistente de direção e de dramaturgia, que segue em circulação; a peça “SÓS: Ao cair de mim morrerei vivendo” (2021), trabalho híbrido concebido entre teatro e vídeo é apresentado online e ao vivo, que além de atuar, também dirigiu e escreveu com apoio da lei Aldir Blanc, e cuja dramaturgia publicou em 2022 pela editora la lettre como uma experiência de leitura-escuta.
Sobre Fabiana Monsalú - diretora e encenadora
Diretora, pesquisadora, atriz, curadora, formadora e fundadora da CompanhiaDaNãoFicçção. Doutora em Estudos Artísticos Teatrais e Performativos pela Universidade de Coimbra – Portugal, onde defendeu a tese "O Teatro Como Acontecimento Performativo e Arte Relacional: Estratégias para Decolonizar a Criação". Mestre em Artes Cênicas Cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da USP, onde defendeu a pesquisa "O Corpo Híbrido do Ator". Licenciada em Teatro pela Universidade Federal da Bahia. É criadora do Método TCH no Brasil e autora dos livros “Arte Relacional no Brasil: O que se faz-O que se come” (editora multifoco/2022) em parceria com a artista e pesquisadora Tania Alice, "O Corpo Híbrido do Ator: do treinamento à organicidade para outras possibilidades da cena" (Ed. Giostri/1o edição 2014 e 2o edição 2018), e colaboradora nos livros “Grotowski: Estados Alterados de Consciência” – org. de Joice Aglae (Ed. Giostri) e “Poéticas do Cuidado”- org. Tania Alice (Editora Multifoco/RJ/2025). Integrou o Núcleo de Pesquisas Teatrais, dirigido por Cibele Forjaz por sete anos, no qual atuou nos espetáculos premiados “Álbum de Família” e "Galileu Galilei", ao lado de Renato Borgh, Abraão Faark e Nilda Maria. Atuou e dirigiu mais de 30 espetáculos. Em 2021, recebeu o Prêmio por Trajetória Artística em Direção Aldir Blanc com o espetáculo “Fim de Festa: Um mergulho para remixar a realidade” (indicado como Melhor Espetáculo em Espaço Alternativo pelo canal de crítica "Deus Ateu").
QUEM FAZ
Direção e Encenação: Fabiana Monsalú (@fabianamonsalu)
Atuação e Dramaturgia: Beatriz Belintani (@beatrizbelintani)
Direção Vocal: Gabriela Flores
Direção de Movimento: Fabiana Monsalú
Cenografia e Vestuário: Fabiana Monsalú e Marcela Mattos
Videografia: Vic von Poser
Assistente de Videografia: Ricardo Kenji
Desenho de Luz: Gabriela Ciancio
Dramaturgia Sonora: Camila Couto
Operação de Vídeo: Vic von Poser e Ricardo Kenji
Operação de Luz: Gabriela Ciancio e Geovanna Moreira
Operação de Som: Lana Scott
Audiodescrição: Anderson Nepomuceno e Vanessa Oliveira
LIBRAS: Maré Dissidente
Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro (Ofício das Letras)
Produção: Corpo Rastreado - Letícia Alves
Realização: CompanhiaDaNãoFicção (@companhiadanaoficcao)

PROGRAME-SE
MEU CORPO EM TERRA CORRE PARA O MAR COMO TARTARUGA MARINHA
TEATRO ARTHUR AZEVEDO
DATAS:
15 a 18 de outubro de 2026
HORÁRIOS:
Quinta a sábado às 20h | domingo às 19h
ACESSIBILIDADE (AUDIODESCRIÇÃO E LIBRAS):
17 e 18 de outubro (sábado e domingo)
VALOR DO INGRESSO:
Gratuito - Presencial - Distribuição 1 hora antes
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 467 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos distribuídos gratuitamente 1 hora antes do início de cada apresentação





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