MASTERCHEF PROFISSIONAIS ESTREIA EM BAIXA, MAS PROVA QUE AUDIÊNCIA E RELEVÂNCIA NÃO SÃO A MESMA COISA
Com a segunda pior estreia da história da franquia, reality da Band aposta no próprio passado para mostrar que ainda é a principal referência quando o assunto é competição culinária na televisão brasileira

O “MasterChef Profissionais” voltou à Band depois de três anos e, no dia seguinte, a notícia não poderia ser muito animadora: 0,9 ponto na Grande São Paulo e a segunda pior estreia de toda a história da franquia no Brasil. É um número ruim. Não existe muito tempero capaz de melhorar isso.
Mas também existe algo curioso quando falamos de “MasterChef”. Mesmo em uma noite na qual pouca gente resolveu assistir ao programa pela televisão, ele continuou sendo notícia, assunto nas redes e objeto de discussão sobre os realities culinários brasileiros.
Quando estreou no Brasil, em 2014, o “MasterChef” também não chegou derrubando a concorrência no Ibope. Na primeira noite, ficou em quarto lugar entre as emissoras abertas. Enquanto isso, liderava os assuntos comentados no Twitter.
O “MasterChef” nunca precisou necessariamente ser o programa mais assistido para parecer um dos maiores programas da televisão, principalmente de realities de culinária.
Ao longo de mais de uma década, ajudou a transformar chefs em celebridades, popularizou técnicas e termos gastronômicos e fez com que milhões de brasileiros soubessem o que era um empratamento, um mise en place ou um ponto perfeito de carne sem nunca terem colocado os pés em uma cozinha profissional.
Vieram outros realities, novas emissoras entraram na disputa, a Globo passou a investir cada vez mais em formatos gastronômicos e até alguns programas com audiência muito superior apareceram pelo caminho.
Ainda assim, quando alguém fala em competição culinária na televisão brasileira, é difícil não pensar primeiro no “MasterChef”.
SE A NOVIDADE ACABOU, O MASTERCHEF RESOLVEU USAR A PRÓPRIA HISTÓRIA
Depois de tantas temporadas, não existe mais como vender uma caixa misteriosa como se o público nunca tivesse visto uma. Em vez de tentar esconder os mais de dez anos de história do programa, esta temporada resolveu usá-los como parte da atração. Dos 18 competidores, nove já passaram pelo “MasterChef”.
A franquia também começou a perceber que seus antigos campeões podem ocupar outro lugar dentro do próprio programa. Quem um dia ouviu Jacquin, Fogaça e companhia julgando seu prato agora pode voltar como convidado, referência profissional ou até ocupar o outro lado da bancada.
E o mais importante: teremos vencedores de temporadas anteriores julgando os pratos de seus desafetos enquanto competidores. Inclusive, estou muito ansioso com o encontro Dayse X Marcelo.
ANA PAULA VOLTOU. E FOI IMPOSSÍVEL NÃO PENSAR EM PAOLA
Depois de dez anos apresentando o programa e de deixar a Band no fim de 2024, Ana Paula Padrão reapareceu como convidada justamente na estreia do “Profissionais”.
Foram tantos anos ouvindo aquela voz anunciar provas, eliminações, contagens regressivas em um tempo que só ela sabe explicar e o clássico “Mãos pra cima!” que vê-la novamente entre Jacquin e Fogaça deu a sensação que ela só foi dar uma volta e voltou.
Mas nostalgia é um negócio perigoso. Trouxeram de volta a Ana Paula e imediatamente nos fizeram lembrar de outra. Foi praticamente impossível não sentir falta de Paola Carosella.
Não porque Helena Rizzo ainda precise provar seu espaço. Depois de tantos anos no programa, ela já construiu uma trajetória própria e seria injusto continuar tratando-a como “a substituta de Paola”.
O ponto é que, se a temporada resolveu buscar antigos participantes, campeões e até sua antiga apresentadora, a ausência de Paola fica ainda mais evidente.
Hoje existe um obstáculo que não existia em outros momentos. Paola está ligada ao GNT, do Grupo Globo, onde apresenta “Infiltrado na Cozinha”, e teve seu vínculo renovado para uma nova temporada do programa.
Não encontrei nenhuma informação que esse contrato impeça uma participação no “MasterChef”. Mas também não é difícil imaginar que comandar um reality culinário em uma empresa concorrente possa tornar esse reencontro um pouco mais complicado.
Isso sem levar em consideração que a próxima temporada do Chef de Alto Nível está prestes a estrear. Creio que não seria uma boa ideia apontar o holofote no reality da concorrência.
Mas não custa nada sonhar, nem que fosse apenas por uma prova ou um vídeo no telão.
O PARADOXO DE CONTINUAR GRANDE MESMO MENOR
Um programa de televisão aberta marcar 0,9 ponto é um problema e seria fácil demais colocar toda a culpa no streaming, nas redes sociais ou naquela velha história de que “o público hoje consome conteúdo de outra forma”.
Ao mesmo tempo, poucos programas com uma audiência tão baixa conseguem continuar despertando tanta discussão sobre elenco, antigos participantes, jurados, reencontros e a própria história da televisão.
Esse é o principal paradoxo do “MasterChef”.
O programa pode não reunir mais diante da televisão o público que já reuniu em seus melhores anos. Mas existe algo que o Ibope da estreia também não conseguiu apagar.
Depois de mais de uma década, quando surge um novo reality de culinária, ainda comparamos com o “MasterChef”.
Quando uma prova gastronômica vira assunto, comparamos com o “MasterChef”.
Quando um amigo cozinha bem e ensina uma receita o chamamos de “MasterChef” (às vezes com direito a um avental do programa de presente).
Talvez cada vez menos gente esteja assistindo. Mas, por enquanto, todo mundo ainda parece cozinhar olhando para a mesma bancada.
QUEM FAZ?
Exibição: Band e Discovery Home & Health
Jurados: Erick Jacquin, Helena Rizzo e Henrique Fogaça
Participação na estreia: Ana Paula Padrão
PROGRAME-SE
O quê: “MasterChef Profissionais” – 6ª temporada
Quando: Terças-feiras, na Band
Horário: 22h30
Onde assistir: Band, Band.com.br e Bandplay
Streaming e TV por assinatura: HBO Max e Discovery Home & Health, às sextas-feiras, às 20h30
Mais informações: canais oficiais do “MasterChef Brasil”





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