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LEILÃO DO TEATRO DULCINA - FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TEATRO DIVULGA CARTA ABERTA À SOCIEDADE

A Fundação Brasileira de Teatro torna pública a Carta Aberta que explica toda as crises, desfalques e dificuldades enfrentados pelo Teatro e Faculdade Dulcina ao longo dos anos


Em respeito à relevância de Dulcina de Moraes, do Teatro Dulcina e da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, o Portal Conteúdo, excepcionalmente, abre espaço para a íntegra da Carta Aberta elaborada pela Direção Executiva da FBT:




CARTA ABERTA À SOCIEDADE



Brasília, 10 de setembro de 2023,


Com base nos acontecimentos da última semana e na iminência do Leilão do edifício sede da Fundação Brasileira de Teatro, que abriga o Teatro Dulcina, Sala Conchita, Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, Galeria de Arte, Estúdios de Fotografia, Áudio e Vídeo e Salas adjacentes, a Diretora Executiva da FBT torna público este documento a fim de que colaboradores, funcionários, sociedade brasileira, classe artística, estudantes, gestores de órgãos políticos, imprensa, GDF e Governo Federal tenham ciência da atual e real situação vivida pela instituição.


Após uma longa sequência de crises e atuações de gestões equivocadas, a Fundação Brasileira de Teatro sofreu interferência do Ministério Público do Distrito Federal, através da decisão pela intervenção judicial exarada no processo nº 2013.01.1.039266-9, que decidiu pelo afastamento dos dirigentes da época, em razão da ausência de prestação de contas e suspeita de irregularidades. Situação que durou até o final do ano de 2017.


A atual gestão da FBT, presidida por Gilberto Rios, gestor cultural e ex-assessor pessoal de Dulcina, possui, com aval do próprio MP, o desafio de identificar as causas das crises anteriores e apresentar um plano de salvamento da instituição, que foi vítima das mais diversas articulações jurídicas e financeiras com o passar dos anos. Com uma extensa análise documental, estão sendo realizados relatórios que identificam os responsáveis pelo conjunto de crises históricas que atingiram a Fundação. Com o real mapeamento e entendimento das crises, ações em benefício da reabertura do prédio foram desenvolvidas, no intuito de reverter a atual situação.


Nos últimos 18 meses, a nova gestão assumiu a direção da Fundação Brasileira de Teatro com uma missão específica: abrir os arquivos da instituição para entendimento real do imbróglio que abala a Faculdade e o Teatro Dulcina há décadas. A dificuldade inicial encontrada foi estrutural. A edificação estava sem energia elétrica e rede de água e esgoto por quase três anos, visto que as atividades foram pausadas no início da pandemia, sem administração interna para o gerenciamento de contas mensais, folhas de pagamento e vigilância de itens básicos.


A análise documental inicial encontrou uma série de impedimentos: por não haver energia elétrica, toda a investigação do dossiê da Faculdade e do Teatro Dulcina foi realizada com dificuldade de digitalização dos mais de 50 mil documentos presentes e alojados por todo o prédio, incluindo históricos acadêmicos. Para a divisão de tarefas, optou-se por dividir o que era do setor Acadêmico, do setor Artístico-Cultural, do setor Financeiro e do setor Administrativo.


Após um ano e meio de investigações, que foram mantidas em sigilo por aconselhamento jurídico e para desdobramentos legais, a Fundação Brasileira de Teatro vem a público fazer os seguintes esclarecimentos do que foi encontrado/descoberto ao longo do período de vigência:

Sobre o Setor Administrativo/Financeiro, apontamos:

1 - Existência da ordem de 57 de processos trabalhistas ativos e execuções fiscais em mãos de diferentes advogados, e alguns desses processos sequer contavam com advogados constituídos para realizar a defesa técnica. Para que não houvesse mais processos tramitados à revelia (visto que a FBT não apresentou defesa em tempo nas gestões passadas), todos foram centralizados num único escritório: Mascarenhas e Guerra Advogados Associados;


2 - Inexistência do acesso à conta bancária da FBT, o que gerou a necessidade de se abrir uma nova conta para movimentação dos recursos da instituição em junho de 2022. Ao ser aberta a conta, as entradas e saídas de pagamento estiveram impactadas por uma série de bloqueios judiciais, impossibilitando o repasse de salários aos professores, funcionários e colaboradores;


3 - Inexistência do valor real da dívida da FBT. Foi realizado extenso levantamento dos valores reais, que está atualmente na ordem de R$27.000.000,00 (vinte e sete milhões de reais) das dívidas adquiridas antes da entrada da atual gestão e durante a atual gestão, visto que os juros das dívidas seguem ativos;


4 - Inexistência de qualquer indicativo de possível leilão repassado pela gestão passada à atual gestão;


5 - Inexistência de uma transição de gestão com informações sobre os problemas anteriores para contextualização da atual equipe;


6 - Inexistência de um Planejamento Estratégico para salvaguardar a Fundação e as suas unidades mantidas entre os anos de 2012 e 2021;


7 - Inexistência das certidões dos balanços entre os anos de 2017 e 2021, o que ocasionou todo o processo de insolvência da FBT e da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes;


8 - Inexistência de todas as Certidões Negativas da FBT – o que impossibilita contatar entes e agentes culturais e receber incentivos do poder público.


Sobre o Setores Acadêmico e Cultural, apontamos:


9 - Dificuldade ao acesso do processo do caso da Intermediação da Educação Cultural (Idec), que cobrava valores por certificados de graduação em Educação Artística como se a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes houvesse ministrado o curso a distância. O escândalo da venda dos diplomas, deflagrado durante a gestão de 2017 ocasionou a instauração do Processo Saneador MEC n.23106.065568/2018-21, arquivado após análise de comissão da SERES/MEC, Despacho Ordinatório 285/2021/CGSO-TÉCNICOS/DISUP/SERES. Atualmente, o caso continua na esfera judicial e ainda não possui um desfecho.


10 - Deficiência de estrutura predial, que conta com inúmeras reformas paliativas sem garantia de eficiência (dois elevadores quebrados, disjuntores elétricos e hidráulicos sem manutenção ou selo de garantia, avaria severa no sistema de ventilação após uma explosão da casa de máquinas), modificação da estrutura original, corte de abastecimento de água e energia elétrica, além da ausência de condições de possuir alvará de funcionamento em conformidade com as normas de segurança dos Bombeiros e órgãos de fiscalização, com débitos que somavam mais de R$600.000,00 (seiscentos mil reais);


11 - Impossibilidade de dar continuidade às atividades acadêmicas presenciais (aulas, atendimento pedagógico, acolhimento estudantil, secretariado, almoxarifado e consulta e emissão de documentos) uma vez que o MEC, em consonância com as autoridades sanitárias e governamentais, deu por concluído o período de suspensão ocasionado pela pandemia;


12 - Inexistência de um levantamento crível e completo do Acervo Histórico-Cultural de Dulcina de Moraes e da Fundação Brasileira de Teatro (setor que compõe e garante o tombamento do Teatro Dulcina e suas áreas de tutela como Bem Cultural do Distrito Federal);


13 - Extravio de itens do Acervo Histórico-Cultural de Dulcina de Moraes e da Fundação Brasileira de Teatro (fotografias, vestidos, obras de arte, objetos pessoais de Dulcina, jóias cenográficas etc.;


14 - Extravio de itens do edifício, tais como computadores, HD’s, CD’s e DVD’s de dados, documentos, pastas, arquivos, mobiliário (mesas, cadeiras, bancos, poltronas, lousas) e demais itens impossíveis de serem conferidos pela ausência de inventário predial e controle de almoxarifado;


15 - Defasagem de canais de comunicação tecnológicos entre estudantes, sociedade, artistas e imprensa;


16 - Ausência do número de protocolo de recredenciamento da IES e de renovação de reconhecimento dos cursos da FADM. Como consequência, o abandono do processo junto ao MEC nos anos da intervenção - 2013 a 2017. O mesmo tinha dado início em 2009, e foi retomado em 2018 após gestão na SERES/MEC, com a concessão de uma excepcionalidade para retomada do fluxo do processo mediante ofício n. 34/2019/CGSE/DISUP/SERES/SERES-MEC;


17 - Ausência de sistema digitalizado com históricos escolares dos estudantes desde 1981 - o que impossibilita o pronto acesso aos processos antigos individuais de cada cidadão formado pela instituição. Todo o dossiê foi separado para possível digitalização, uma vez que o prédio foi encontrado sem energia elétrica.


Sobre as dívidas fiscais não-previdenciárias da Fundação Brasileira de teatro, foram identificados em setembro de 2022:

Valores de R$984.368,10 (novecentos e oitenta e quatro mil, trezentos e sessenta e oito reais e dez centavos)


Sobre as dívidas fiscais previdenciárias da Fundação Brasileira de teatro, foram identificados em setembro de 2022:

Valores de R$ 16.023.637,63 (dezesseis milhões, vinte e três mil, seiscentos e trinta e sete reais e sessenta e três centavos)


Sobre dívidas de FGTS foram identificados em setembro de 2022:

Valores de R$ 2.843.208,46 (dois milhões, oitocentos e quarenta e três mil, duzentos e oito reais e quarenta e seis centavos)


Sobre débitos com o GDF, foram identificados em setembro de 2022:

Valores de R$ 11.824,55 (onze mil, oitocentos e vinte e quatro reais e cinquenta e cinco centavos)


Sobre débitos em aberto com a Receita Federal, foram identificados em agosto de 2022:

Valores de R$ 39.685,89 (trinta e nove mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e oitenta e nove centavos)


Sobre processos Judiciais Ativos, foram identificados em setembro de 2022:

20 processos em fase de execução, totalizando R 2.191.307,17 (dois milhões, cento e noventa e um mil, trezentos e sete reais e dezessete centavos)


Sobre processos em Execução Fiscal, foram identificados em setembro de 2022:

11 processos em fase de execução no valor de R$281.465,01 (duzentos e oitenta mil, quatrocentos e sessenta e cinco reais e um centavo)


Sobre processos em Execução Suspensa, foram identificados em setembro de 2022:

08 processos em suspensão no valor de R$90.064,21 (noventa mil e sessenta e quatro reais e vinte e um centavos)


Sobre processos em Liquidação, foram encontrados em setembro de 2022:

03 processos no valor de R$ 457.152,85 (quatrocentos e cinquenta e sete mil, cento e cinquenta e dois reais e oitenta e cinco centavos)


Sobre processos em Recursal, foram encontrados em setembro de 2022:

02 processos no valor de R$116.984,34 (cento e dezesseis mil, novecentos e oitenta e quatro reais e trinta e quatro centavos)


Sobre processos Arquivados, foram encontrados em setembro de 2022:

09 processos no valor total de R$314.108,00 (trezentos e quatorze mil e cento e oito reais)


Sobre processos em Segredo de Justiça, foi encontrado em setembro de 2022:

01 processo sem informações


Entendidos tais apontamentos no início da atual gestão, as seguintes ações foram realizadas:

1 - O trabalho de resgate, inventário, digitalização, difusão e atualização do Acervo Histórico-Cultural de Dulcina de Moraes e da Fundação Brasileira de Teatro, visto que todas as tentativas anteriores de resgate do acervo foram interrompidas, pausadas ou descontinuadas, mediante alterações na linha curatorial e administrativa da instituição. Com o auxílio de pesquisadores teatrais, museólogas, estudantes de arte, artistas e consultores de moda e costura voluntários, artigos raros foram encontrados, identificados e, em 2023, estão passando pela segunda fase de digitalização e inventário com auxílio direto da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF;


2 - Avaliação do Trabalho de Inventário do Acervo pela CONDEPAC – Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural a fim de que seja salvaguardado o patrimônio de Dulcina e da FBT para fins de renovação do Teatro Dulcina como Patrimônio Cultural do DF e aceleração do processo de Tombamento Federal junto ao IPHAN e órgãos competentes;


3 - Reativação e reformulação do Website Oficial da FBT, ativação de e-mails oficiais com domínio próprio, bem como gestão de redes sociais para melhor diálogo com o público;


4 - Elaboração de mais de 40 reportagens locais e nacionais para que as informações sobre as ações da atual gestão fossem de conhecimento público, por meio da transparência em cada etapa de trabalho, obtendo, assim, maior apelo popular;


5 - Contribuição com editoras literárias, cursos de arte-educação, programas de televisão e plataformas digitais com base nas informações cedidas pela equipe responsável pelo atual inventário do Acervo Histórico-Cultural da FBT - o que contribui significativamente com a manutenção e atualização da história teatral brasileira;


6 - Realização e gravação de 3 Episódios de Videocast onde a Diretoria Executiva explica à sociedade os primeiros passos ao assumir a gestão de 2022 com veiculação aberta no Youtube e redes sociais, também como modelo de transparência;


7 - Foi constatado que, ao longo dos últimos anos, professores e profissionais técnicos de apoio à FADM não recebiam suas remunerações em tempo e forma devido a uma falta de gestão administrativa/financeira. Não havia nenhuma planilha de viabilidade econômica para a formação de turmas e havia uma gestão temerária dos recursos. Durante o ano de 2022, vários professores lecionaram sem receber qualquer remuneração. Atualmente, após um acordo com os professores, todos recebem - parcialmente - seus salários, em conformidade com o que é arrecadado pela FADM.


8 - Há muitos anos, a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes padecia de graves problemas na gestão financeira de seus recursos. Havia um altíssimo nível de inadimplência das mensalidades (85% até o segundo semestre de 2022) e uma cultura instalada de permissividade das gestões anteriores com o tema. Os alunos pagavam fora das datas e critérios estabelecidos e, ainda assim, recebiam descontos e não havia a cobrança de juros e/ou qualquer penalização. Existem casos de alunos formados que não pagaram uma única mensalidade em toda a vida acadêmica, e seguiram estudando pagando somente a matrícula no início de cada semestre. Para estancar essa verdadeira sangria financeira, a atual gestão estabeleceu que:


1. Alunos inadimplentes só poderiam renovar a matrícula após negociação e o pagamento de 50% da dívida pré-existente e o parcelamento do restante em até 5x;

2. Observar e aplicar rigorosamente a política de descontos, multas e juros;

3. Não abrir mão de qualquer valor referente a juros e multas devidas. Com esse trabalho, a taxa de inadimplência atual é inferior a 10%.


9 - Foi iniciado um planejamento para sanear os processos judiciais na tentativa de interromper as cobranças pela dívida crescente, com o objetivo de promover uma tentativa de recuperação extrajudicial, e negociação junto aos credores;


10 - Negociação e pagamento de dívidas não judicializadas com fornecedores e prestadores de serviços, tais como serviço de coleta de resíduos, sistema de gestão escolar, contabilistas e até mesmo os zeladores do jazigo de Dulcina de Moraes no Campo da Esperança, cuja responsabilidade é da FBT e que consta com débitos de manutenção em aberto na Administradora do cemitério desde os anos 1990;


11 - Negociação definitiva de todos os débitos junto à NeoEnergia, onde a atual gestão conseguiu reduzir uma dívida de aproximadamente R$480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais) para R$65.000,00 (sessenta e cinco mil reais), divididas em 12 parcelas, pondo fim a um problema histórico da FBT. Vale ressaltar que o acordo foi possível mediante doação da sociedade civil, com uma entrada do acordo estipulada em R$15.000,00 (quinze mil reais);


12 - Início da negociação dos débitos junto à Caesb, para parcelamento de uma dívida de aproximadamente R$ 160.000,00 que ainda não foi concretizada por falta de capacidade de pagamento da instituição;


13 - Realização de parceria com o Centro Cultural Brasília - CCB para funcionamento presencial das atividades pedagógicas da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, uma vez que o edifício sede encontra-se sem condições de receber estudantes desde 2020;


14 – Reuniões com representantes políticos, entidades relacionadas a órgãos de governo, advogados, instituições e associações para busca de soluções para FBT:


  • MEC - Foram realizadas três reuniões para tratar das soluções dos cursos e diplomas;

  • Funarte - Realização de uma reunião para futuro convênio de parceria;

  • Iphan - Foram realizadas três reuniões para tratar de parceria e tombamento nacional;

  • Câmara Legislativa – Foram realizadas reuniões em diferentes gabinetes para busca de soluções pontuais para a situação da Faculdade e do Teatro Dulcina;

  • Instituto Bem Brasil - tratativas para virtualização do acervo histórico da FBT e Dulcina de Moraes para construção disponibilização de um Museu Virtual;

  • Secretaria de Cultura e Economia Criativa – Foram realizadas reuniões com o então Secretário Bartolomeu Rodrigues, sem avanços significativos e, posteriormente, foram realizadas duas reuniões com o atual Secretário Claudio Abrantes, que formalizou a atuação da CONDEPAC em defesa do Patrimônio de Dulcina e da FBT, emitindo parecer técnico sobre o trabalho realizado com o Acervo Cultural e promovendo ações de salvaguarda do mesmo;

  • Foram ainda realizadas reuniões para possíveis apoios junto ao Associação Comercial do DF, BRB e BNDES.


15 – Com a religação da energia elétrica, foi realizado um grande mutirão de limpeza do Teatro Dulcina e suas 400 poltronas, bem como limpeza das áreas de trabalho técnico da equipe do Acervo Histórico-Artístico e aceleração do processo de inventário, visto que a equipe oficial de trabalho conta com apenas quatro voluntários à disposição do Diretor Cultural Josuel Junior.

16 – Durante o período de atuação da nova gestão, o nome de Dulcina de Moraes voltou a ser pautado de maneira positiva na mídia, estimulando, por meio da difusão do Acervo Histórico-Cultural, a criação e o desenvolvimento de produtos artísticos, tais como:

1. Episódio 2 da série Companhias do Teatro Brasileiro, do Canal Curta!;

2. Produção de 15 reportagens de televisão exibidas em veículos como Globo, BAND, Metrópoles, Record TV, Globonews e TV Brasil;

3. Clipping de Imprensa com mais de 40 reportagens especiais em veículos como Metrópoles, G1, R7, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Portal Conteúdo, Guia do Ator, Atores da Depressão, Jornal Alô Brasília, SESC Cultura, entre outros;

4. Produção de Especial de TV já gravado sobre o legado de Dulcina e o trabalho do Acervo, com veiculação prevista para outubro, com produção da Globo/Globoplay;

5. Elaboração de livro infanto-juvenil sobre Dulcina de Moraes para a série Mestres Cobogós, do Coletivo Literário Maria Cobogó, responsável pela coleção que homenageia nomes de Brasília, como Glênio Bianchetti e Athos Bulcão. Previsão de lançamento em outubro de 2023.


A Fundação Brasileira de Teatro informa que o Leilão referente à verba do Teatro Dulcina e suas adjacências será realizado no dia 14 de setembro de 2023 em primeira chamada, com base no processo nº 0038518-98.2008.4.01.3400 - Classe: EXECUÇÃO FISCAL - Órgão julgador: 18ª Vara Federal de Execução Fiscal da SJDF, cujo valor da causa consta em R$ 231.413,11 (duzentos e trinta e um mil, quatrocentos e treze reais e onze centavos) com acréscimo de juros. A ação relacionada se refere a assuntos de Contribuições Sociais, FGTS/Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. O que foi realizado até agora pela atual gestão teve como foco a identificação de todos esses fatos para que, em momento oportuno, tudo fosse revelado a público, etapa por etapa.


Foram identificadas diferentes crises ao longo do anos:


1977 – Por dificuldade na transferência financeira para a conclusão do edifício sede da FBT em Brasília, a construtora Mercatec paralisou as atividades e, após negociações, uma nova empresa finalizou a construção. No mesmo período, houve um levante popular da classe artística local brasiliense contra os investimentos do Governo Federal voltados para a conclusão do prédio da FBT. Cartas, clippings de imprensa e manifestos foram entregues à Dulcina de Moraes para que ela e sua equipe compreendessem que Brasília já tinha um relevante movimento teatral. Tal movimento, reverberou negativamente com o passar dos primeiros anos da década de 1980, numa separação ideológica do que viria a ser o teatro brasiliense e o teatro vindo do Rio de Janeiro instalado na capital;


1981 – A saída de equipe que acompanhava Dulcina de Moraes desde o processo de construção do prédio. Com o advento das produções de telenovelas no período, parte dos membros do Conselho e da Diretoria Executiva, convidados por Dulcina desde o Rio de Janeiro, declinaram da proposta e voltaram para seguirem carreira na TV e em seus projetos pessoais – o que desfalcou significativamente a gestão entre os primeiros anos da década;


1982 – Com a inauguração da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, a receita do Teatro Dulcina (setor cultural) e a Faculdade (setor acadêmico) era administrada pela mesma matriz financeira, o que prejudicou o modus operandi de gestão por anos. Há indícios da ausência de pagamento de estudantes desde o início da Faculdade. Como parte do acordo de parceria com o GDF, muitos estudantes da primeira geração já foram matriculados como bolsistas para que houvesse aceleração do número de arte educadores com formação superior em Brasília. Tal acordo, já apresentou diferenças entre a receita do Teatro e a receita da Faculdade;


1986 e 1989 - Um novo desfalque: A saída de professores por falta de atualizações de pagamento. A receita gerada não era suficiente para suprir as despesas mensais. Houve um relevante período de atividades contínuas no teatro e injeção de capital por meio de projetos e leis de incentivo. No entanto, com Dulcina já fragilizada e começando a desenvolver o que viria a ser uma esclerose, as gestões seguintes da FBT não conseguiram contornar a situação. Há notória ausência de documentos desse período. Além disso, a especulação imobiliária atrapalhou muito a sustentação do local. Tudo isso está documentado e parte desses ofícios, memorandos, cartas, bilhetes, fotografias e anotações em diários ajuda à equipe a desvendar que grande problema é esse que afetou (e que reverbera até hoje) uma das mais importantes fundações do país;


1990 a 1991 – Contorno paliativo da crise financeira e realização de campanha de arrecadação de Fundos. É neste momento que nasce o movimento Viva Dulcina;


Entre 1992 e 1994 – Período de intenso movimento artístico impulsionado pelo Projeto Temporada Nacional, com patrocínio da Fundação Banco do Brasil;


1995 – Problemas relacionados à prestação de contas do Projeto Temporada Nacional. Nos dossiês encontrados, páginas foram arrancadas – o que impede melhor compreensão dos equívocos que geraram a reprovação de tal prestação de conta;


1996 – Com a morte de Dulcina de Moraes, o modelo de gestão empresarial da FBT tem significativa modificação;


2008 – Nova crise de energia elétrica e inadimplência dos estudantes matriculados. É anunciada a paralisação das atividades temporária – o que não chega a se concretizar


2013 – Outra grande crise de energia elétrica. Por iniciativa dos docentes as aulas são transferidas emergencialmente para diferentes locais de Brasília e se inicia o processo de retirada da atual gestão;


2013 – Em 25 de Março 2013 foi ajuizada ação pelo MPDFT afastando os então dirigentes da Fundação Brasileira de Teatro pela ausência da prestação de contas e substituição fundacional. Deferido o pedido do MPT DF foram nomeados pela Justiça os interventores Marco Antonio Schmidt Hannes e Luiz Francisco de Souza que assumiram a gestão em 02 de julho de 2013.


2015 – Realizado um contrato entre FBT - IDEC com o Interventor do MP Marco Antonio Schmidt Hannes, Luiz Francisco Sousa e a diretora Ana Cláudia Pinheiro da Silva. O acordo financeiro previa R$500,00 (quinhentos reais) por diploma emitido, totalizando R$750.000,00 (setecentos e cinquenta mil reais) para certificação de 1.500 processos.


2017 – O mesmo acordo é cancelado em 15 de setembro de 2017, após averiguações e consultas feitas pela interventora Débora Cristiane Souza Aquino da Silva. No mesmo ano se protocola a denúncia no MPDFT para averiguações deste que foi o maior caso ilegal relacionado à Faculdade de Artes Dulcina de Moraes.


2021 - Em julho a secretaria executiva da época, Liana Farias, desenvolve uma série de ações para recomposição do Conselho de Curadores (incompleto desde 2019) devido a inércia dos conselheiros. E a renúncia em setembro da presidência da FBT, Raissa Gregori Deste modo se elegem dois novos, que vieram a ser respectivamente Presidente e Vice-presidente, Gilberto Rios e Luciano Lopes.


Com Gilberto Rios na presidência, a Gestão da FBT trabalhou ativamente desde agosto de 2021, em dezenas de reuniões com diversos setores da sociedade, bem com órgãos da administração pública, a fim de encontrar caminhos e apoiadores para a recuperação da instituição. Com o impasse dentro do Conselho Curador, na definição de normativas para a eleição de novos conselheiros, o então Presidente promoveu eleições públicas, e estabeleceu uma Comissão para selecionar os candidatos inscritos para a composição de um novo conselho curador para a FBT.


Em setembro, o grupo eleito iniciou de maneira informal os trabalhos com a gestão. Fizeram reuniões semanais durante três meses e se organizaram em grupos de trabalho para se aprofundar nos problemas mais urgentes da instituição. Os encontros foram interrompidos em 03/12/2021 por recomendação do Ministério Público, que apontou irregularidades nas atividades já que a ata de posse não havia sido aprovada para registro pela Promotoria.


Em dezembro, e perante o fim do contrato da secretaria executiva e do financeiro, a gestão sugeriu o adiamento do vestibular para o próximo ano;

2022 – Até a normalização da ata de posse do novo Conselho de Curadores e da sua executiva, permanece a gestão da direção acadêmica com professor Fernando Reynoso que, após assembleia de alunos e professores, prossegue com as atividades acadêmicas ad referendum. Para este momento, e como consequência da pandemia, a inadimplência tinha alcançado o índice de 85%. Sem dinheiro em caixa, os pagamentos de professores e funcionários decidiram pela continuidade das atividades para que os alunos não fossem ainda mais prejudicados.


No mês de maio, é realizada Assembleia Extraordinária que consolida o Conselho de Curadores e empossa a Direção Executiva.


Neste período, a UnB suspende o registro de 50 diplomas FADM, como consequência da extraordinária demora na finalização do processo de recredenciamento e reconhecimento, o que inclui um período de mais de cinco anos da intervenção do MP, durante a qual não se deu prosseguimento ao mesmo. Desde então, com a pandemia e com a crise política decorrente da finalização e transição do antigo governo nacional para o novo, este processo foi retomado tão somente em março deste de 2023. Por um lado, a SERES/MEC afirma que o fluxo dos diplomas pode voltar à normalidade e, por outro lado, a UnB sustenta a impossibilidade desta retomada. Perante a urgência vivenciada pelos ex-alunos que precisam de seus diplomas para se candidatar ou assumir cargos concursados, restou a IES como única saída o pedido de uma “Portaria de reconhecimento para fins de extinção da oferta”. Deste modo, em junho de 2023, após criteriosa análise documental e jurídica, foi aprovada a Extinção dos Cursos Licenciatura em Artes Cênicas, Licenciatura em Artes Visuais, Bacharelado em Interpretação Teatral da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. No entanto, os alunos matriculados e com curso em andamento, serão inseridos dentro de um plano de encerramento de atividades tutelado pelo MEC.


No último relatório elaborado pela Direção Acadêmica, o primeiro semestre de 2023 contava com 48 alunos distribuídos nos três cursos seguintes:

  • Licenciatura em Artes Cênicas 18 alunos

  • Licenciatura em Artes Plásticas 16 alunos

  • Bacharelado em Interpretação 14 alunos

Esta queda contínua na quantidade de alunos fez que a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes se adaptasse e a cada semestre para aprovação da grade horária, a da oferta de disciplinas em prol da otimização dos recursos. O fato tem impactado na receita total da instituição, ocasionando recortes nos salários dos docentes e gestão acadêmica, e, em decorrência do início do semestre, após um importante conflito interno, foi realizado um acordo entre docentes e Direção Administrativa, no qual se aceitava receber um adiantamento do salário de cada mês. Como exemplo, citamos o reajuste de pagamento da Direção Acadêmica. Há a previsão de um salário de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) mensais, porém, dentro do acordo, a rubrica recebe regularmente o valor de R$970,00 (novecentos e setenta reais).


A gestão acadêmica focou seus esforços na regularização da FADM perante o MEC, e no desenvolvimento de uma proposta pedagógica que pudesse ser plasmada no Projeto de Desenvolvimento Institucional - PDI, abrindo a instituição para o ensino profissionalizante com cursos de qualificação, técnico médio e técnico superior no âmbito presencial e virtual.


Os alunos matriculados e com curso em andamento serão inseridos mediante aceitação individual, dentro de um Plano de Desativação que garanta que os direitos dos estudantes ativos e inativos sejam respeitados, assim como da preservação do acervo administrativo da IES. Dessa maneira, caso algum aluno ou ex-aluno necessite de documentos retroativos, consultas a históricos escolares, os mesmos poderão ser resgatados.


Penosamente, e, devido às razões expostas, todos os esforços tiveram que mudar de direção, devido à urgência para resolução das questões expostas. Neste novo contexto, e após consultas realizadas com o Dr. Paulo Wollinger, com o Conselho Superior, chegou-se ao entendimento de que o recurso do pedido da extinção dos cursos Licenciatura em Artes Cênicas, Licenciatura em Artes Plásticas e Bacharelado em Interpretação Teatral é a solução mais sensata.


Tendo em vista o caráter urgente de um posicionamento aberto, ainda que muitos desdobramentos das investigações não tenham sido concretizados, explanamos tais informações a fim que de os colaboradores, funcionários, parceiros, apoiadores, artistas, estudantes, políticos, entes e agentes culturais, GDF e Governo Federal tenham ciência de que, por equívocos, casos de corrupções, gestões equivocadas, acúmulo de processos, descrédito e falta de incentivo ao longo de quatro décadas, o Teatro Dulcina e a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes poderão fechar suas portas na próxima semana e, com o fechamento dessas portas, perde a cultura de Brasília e a cultura do Brasil, afinal, a trajetória e o legado de Dulcina de Moraes acompanham a história da arte brasileira.


Esta carta aberta à sociedade, revela dados nunca mencionados. Certos da atenção e compreensão de todos, reiteramos nosso respeito à história de Dulcina de Moraes e reverenciamos todas e todos que um dia tentaram lutar pela manutenção, permanência e difusão de suas ações em prol do ensino das artes e da formação de plateia por todo o Brasil.


Segue em anexo, a cronologia da trajetória de Dulcina e da Fundação Brasileira de Teatro.


Assinam este documento:


Gilberto Rios, Presidente da FBT Roberto Neiva, Secretário Executivo da FBT

Miguel Alves, Diretor Administrativo e Financeiro da FBT Josuel Junior, Diretor Cultural da FBT Fernando Reynoso, Diretor Acadêmico da FADM

ANEXO

DULCINA DE MORAES E FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TEATRO


Século XVIII e XIX – A companhia teatral de Zarzuelas José Bernard excursiona países da Europa. A filha de José Bernad, a atriz Dulcina Bernad conhece o também ator Servando Walinna. Do relacionamento, nasce, em 1885, Conchita de Los Reys. Conchita nasceu em Cuba, mas fez muito sucesso como atriz de comédias do Rio de Janeiro. Por seu reconhecido trabalho como atriz, recebe recebeu o título de Cavaleiro de Ordem do Cruzeiro do Sul, uma das maiores honrarias da época. Numa das peças, conheceu um jovem ator que também trabalhava na cidade, Átila de Moraes;

1908 – O casal de atores Átila de Moraes e Conchita de Moraes viaja em excursão com a companhia de Francisco dos Santos pelo interior do Rio de Janeiro e lá, Conchita dá à luz à Dulcina de Moraes.


1923 – Dulcina estreia profissionalmente aos quinze anos no espetáculo “Travessuras de Berta”, pela Companhia Brasileira de Comédia do Teatro Trianon. Trabalha, a exemplo de sua mãe, na Companhia de Ismênia dos Santos por curto período;


1925 – Dulcina é contratada pela Companhia Leopoldo Fróes, uma das mais importantes da época, como Jeannine, papel principal da peça “Lua Cheia”, de André Birabeau, excursionando para Argentina com espetáculos do grupo;


Entre 1927 e 1929 – Dulcina excursiona com os pais por diferentes cidades e companhias num período de difíceis condições de trabalho. Uma verdadeira família teatral itinerante. Neste período, o escritor, advogado e ator Odilon Azevedo, ao desistir de acompanhar a Companhia de Leopoldo Fróes em turnê pela Europa, monta com o também ator Joracy Camargo a sua própria companhia e convida o pai de Dulcina para atuar no grupo. É neste período que Dulcina passa a trabalhar com o colega de palco. Antes de dedicar-se ao teatro, Odilon de Mello Azevedo, natural de Santa Rita de Cássia/MG, militou na literatura, tendo escrito os livros “Macegas”, “A Mulher do Promotor” (romance que recebeu menção honrosa da Academia Brasileira de Letras), relançado com o título “Dr. Filintro”, “Casa de Cômodos”, “O Terceiro Sexo” e “Ainda Existe o Amor”. Sua estreia como escritor recebeu grandes elogios de Monteiro Lobato – o que pode ser comprovado em seu diário pessoal, guardado com muito cuidado em Brasília.;


1930 – No dia 04 de julho, os colegas se tornam esposos. Dulcina casa-se com Odilon Azevedo e forma com ele a mais badalada dupla do teatro brasileiro daquele período, projetando o nome do Brasil para além das fronteiras;


1934 – Funda com o marido a Companhia Teatral Dulcina-Odilon, que inovou o jeito de se fazer teatro no Brasil. Em 22 de maio de 34 o casal abriu as portas do Teatro Rival, no Rio de Janeiro, com a estreia da comédia “Amor”, de Oduvaldo Viana. Na época, o novo teatro chamou a atenção pelo tamanho do seu palco, dividido em três partes, e pelos 24 ventiladores instalados para circular ar fresco, já que ocupava um subterrâneo. Na companhia, Dulcina eliminou o “ponto”, a pessoa que dizia o texto para os atores em uma caixa escondida no palco. A Companhia também foi responsável por instituir o descanso semanal para os artistas às segundas-feiras (modelo adotado até hoje pelos artistas e professores de arte). O mesmo modelo foi adotado pela Argentina em turnê de Dulcina pela capital portenha Buenos Aires, anos depois;


1937 – O casal viaja para os EUA e faz um tour pelos teatros norte-americanos e estúdios de cinema, trazendo na volta muita modernidade para os palcos do Brasil. A partir dessa viagem, o jeito de se estruturar os cenários de teatro muda. Com aparatos tecnológicos e contratação de artistas visuais do cinema nacional, cenários 3D começaram a fazer parte das montagens;


1939 – Recebe a medalha do mérito da Associação Brasília de Críticos teatrais, ABCT, como melhor atriz do ano pelo conjunto de trabalhos;


1941 – Estreia o único filme de sua carreira como protagonista: “24 horas de sonhos”, de Chianca de Garcia, produzido na Cinédia/RJ. No filme, contracena com Oscarito, Odilon Azevedo, Paulo Gracindo, Suzana Negri, Aristóteles Penna e os pais, Dulcina e Átila. Em depoimento ao amigo Sérgio Viotti, Dulcina revela que precisou vender algumas de suas propriedades para pagar os custos da película.


1944 – O ano das estreias e dos cenários gigantes. Realizou, a convite do Ministro da Educação do Governo Vargas, Gustavo Capanema, as temporadas oficiais das obras “Santa Joana” e “César e Cleópatra” (de Bernard Shaw) e “Anfitrião 38” (de Giradoux), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Ainda neste ano, estreia a primeira montagem brasileira de “Bodas de Sangue”, de Garcia Lorca;


1945 – Seguindo as temporadas de repertório no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apresenta “Rainha Victória” (de Housman), “O Pirata” (de Berman) e a estreia de “Chuva” (adaptação do romance de Somerset Maugham). Foi no papel de Sadie Thomson, em “Chuva” que Dulcina se tornou a mais célebre artista teatral brasileira da primeira metade do Século XX. A obra foi considerada pela crítica como um dos melhores trabalhos da carreira da atriz. A peça tinha no elenco nomes como Manoel Pêra, Yara Cortes, Conchita de Moraes e Odilon Azevedo. Neste período, além de ser uma célebre atriz, Dulcina passou a ditar moda. Os figurinos usados nas peças passam a ser copiados pelas mulheres da alta sociedade e, além de se destacar no teatro, Dulcina é modelo de elegância e sofisticação no mundo da moda. Com o passar dos anos, usou peças exclusivas assinadas por Hugo Rocha, Christian Dior, Dijon e Clodovil;


1946 e 1947 – Continuação da temporada no Theatro Municipal do Rio. Nestes anos, apresenta “A Filha de Iório” (de D’Annunzio” e “Já é manhã no mar” (de Maria Jacinta), ambas com Nicette Bruno estreando na companhia, circula pela Argentina e pelo Uruguai com a versão espanhola de “Chuva”, com atores locais. Na turnê, visita em Buenos Aires um centro de apoio para assuntos profissionais e gerenciamento de carreira de artistas. A partir dessa visita, Dulcina tem o desejo de instituir no Brasil algo similar. Como no Rio havia uma instituição com finalidade semelhante, a Casa dos Artistas, se oferece para presidir a instituição. Não sendo escolhida para presidir o local, aceita as recomendações de Herbert e Iara Sales e aliena o Teatro Regina para formação do patrimônio da recém criada Associação Brasileira de Teatro. Neste momento, o Teatro Regina muda de nome e passa a se chamar Teatro Dulcina;


1949 – Prêmio ABCT – Ganha o prêmio de melhor direção por “Mulheres”, de Clare Boothe. Monta “O Sorriso de Gioconda”, com Nicette Bruno e Manoel Pêra (pai de Marília Pêra) no elenco;


1951 – A Companhia faz temporada em Portugal com “Sorriso de Gioconda” e “Chuva”;


1953 – Interpreta Olívia Dobrowaki em “Vivendo em Pecado”, de Terence Rattigan. A obra conta com figurinos exclusivos do estilista Christian Dior;


1955 – Cria com Odilon Azevedo a Fundação Brasileira de Teatro e doa para a instituição o Teatro Dulcina. Nos anos de 1955, 1956, 1957 e 1965 apresenta pela Fundação os espetáculos “Poeira de Estrelas” no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, proporcionando ao público assistir a espetáculos em que se confraternizavam com os principais expoentes do teatro da época, que interpretavam textos elaborados especialmente para essas récitas;


1957 – Realiza o I Festival Nacional de Teatro Amador. Nele, por meio de voto de júri popular, a peça pernambucana “O Auto da Compadecida” é ovacionada e ganha destaque.


1958 – Temporadas Diversas no Teatro Dulcina. Em 1958 foi apresentada ainda a peça “Processo de Jesus”. Dulcina e Odilon negociam com Ariano Suassuna os direitos de uso da peça e realizam a temporada de “A Compadecida”, com Agildo Ribeiro, Cirene Tostes e Nildo Parente no elenco. No mesmo ano, a presidência da república a Fundação Brasileira de Teatro utilidade pública pelos serviços oferecidos à sociedade. Os espetáculos infantis “Vamos a Belém” (de A. Casona), “O Casaco Encantado” (de Lúcia Benedetti) e “O Espanador da Lua” (de Maria Lúcia Amaral) entram em temporada por meio de matinês;


1959 – A peça “Tia Mame” (de J. Laurence) entra em cartaz. No mesmo ano, Dulcina e Odilon realizam o I Congresso Brasileiro de Ensino de Teatro e luta para um ensino superior em artes. No Rio de Janeiro, mantém a Academia de Teatro da Fundação. Dotada de notável senso humanitário, Dulcina e Odilon lutaram pela valorização da classe teatral, pela formação de plateias, pela legalização da profissão de ator e pelo ensino do teatro como arte e como ciência, principalmente no seu aspecto educativo-cultural. Pela Academia de Teatro, passam importantes nomes das artes do Brasil, como Irene Ravache e Paulo Goulart. Nomes como Cecília Meireles, Maria Clara Machado, Bibi Ferreira, Henriette Moureneau e Ziembinski fazem parte do grupo de professores da instituição.


1960 – Circulação do projeto Temporada Popular, com espetáculos realizados nos mais diversos bairros, subúrbios e favelas do Estado da Guanabara, inteiramente gratuitos por incentivo do Governo do Estado.


1964 – Em visita a Brasília para temporada teatral em 1964 com a peça “Oito Mulheres” na Asa Sul, Dulcina e Odilon são convidados a conhecer o que viria a ser o Setor de Diversões Sul. Na sede da Novacap, Dulcina aponta para um mapa e escolhe os lotes onde futuramente seriam construídos o Teatro e a Faculdade de Artes


1966 – Morre o marido, colega e grande companheiro e incentivador Odilon Azevedo. No mesmo ano, registra oficialmente a compra de lotes do Setor de Diversões Sul de Brasília.


1968 a 1971 – A Fundação Brasileira de Teatro passa por um longo processo de transição do Rio de Janeiro para Brasília. É realizado um grande inventário dos bens da instituição e há a dissolução do conselho para a formação de um novo corpo administrativo;


1972 – Dulcina passa a morar em Brasília para acompanhar a construção da nova sede da FBT. O desenho original do prédio é assinado por Oscar Niemeyer. Neste ano, se hospeda no Hotel Nacional até conseguir permissão para morar num apartamento funcional da Marinha, a partir de 1973. Ainda em 1972, se une às damas da sociedade brasiliense para realizar temporada estratégica da peça “Mulheres”, com o intuito de angariar fundos de investimento para a FBT. Conta com a ajuda de Natanry Osório, professora pioneira que se torna grande amiga na nova capital;


1973 – Começa a construção do prédio da Fundação Brasileira de Teatro em Brasília. A saga dura 8 anos. Após a troca da Construtora, o edifício sede da FBT e da Faculdade de Artes é levantado. No mesmo ano, monta outra versão de espetáculo de repertório com elenco brasiliense: “Tia Mame”, na Sala Martins Penna do Teatro Nacional;


1976 – É feita uma grande festa no canteiro de obras do Teatro Dulcina com representantes da alta sociedade brasiliense e artistas. Dulcina elaborou o evento no intuito de chamar a atenção dos governantes e empresários do DF, uma vez que a entrega do Teatro estava atrasada e requeria maiores investimentos.


1979 – Grava uma série de entrevistas para o programa “Brasil 79”, da TV Globo, apresentado por Bibi Ferreira. O programa não chegou a ser veiculado, mas os originais das fitas com ensaios e montagens da peça “Gota d’água” foram recuperados em 2013 por Josuel Junior no CEDOC da emissora;


1980 – Em 21 de abril de 1980 inaugura, enfim, o Teatro Dulcina, com a estreia da peça “Gota d´água”, com Bibi Ferreira, Adriano Reys e grande elenco. O corpo de baile foi dirigido por Fernando Azevedo e desponta na época um importante ator de Brasília: Chico Sant’Anna.


1981 – Volta aos palcos e ao Rio de Janeiro com a peça “O Melhor dos Pecados”, de Sérgio Viotti, escrita especialmente para a atriz e dirigida por Bibi Ferreira. A peça é apresentada no Rio, Curitiba e Brasília. É daí uma das últimas aparições da atriz por meio de entrevistas. Dulcina recebe o Prêmio Molière Especial e é aclamada pelo público e a crítica.


1982 – Em 07 de março de 1982 é oficialmente inaugurada a Faculdade de Artes da FBT, que posteriormente se chamaria Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, formando diversos artistas e arte-educadores em Brasília. Da primeira turma, destaque para Françoise Forton, uma das primeiras alunas matriculadas na instituição.


1983 – Dirige e atua em “Bodas de Sangue” com turma de alunos da FADM. Entre os atores iniciantes, André Amahro, Fernando Guimarães e Marcelo Saback. A peça contou com participação especial do ator B de Paiva. No mesmo ano, dirige com os alunos as peças “Drama Conversível” (de Lúcia Bennedetti e Adolfo Celili) e “O Homem da Flor na Boca” (de Luigi Pirandellio);


1984 – Dirige “Piquenique no Front” (de Fernando Arrabal) com alunos da FADM. No elenco, André Amahro, Cléu Aguiar, Ângelo Caldeira, Paulo Alberto Fortes. No mesmo ano, dirige também “Do Tamanho de um Defunto” (de Millôr Fernandes);


1985 – Dirige com alunos da FADM as peças “Pigmaleoa” (de Millôr Fernandes), com Marcelo Saback e Preto Rezende, “Senhorita Júlia” (de August Strindberg), “A Perseguição de Zero a Ene” (de Timothenco Whebi), “Retrato de uma Madona” (de Tennensse Williams) e “Girassóis e Baratas” (de André Amahro);


1987 – Dirige na Faculdade Dulcina novas versões das peças “Mulheres” e “Piquenique no Front”, com Déo Garcez no elenco. No mesmo ano, dirige “A Cantora Careca” (de Eugéne Ionesco), novamente com Preto Rezende no elenco. Aliás, Preto Rezende é um dos atores mais dirigidos por Dulcina no período em que lecionou na faculdade;


1988 – Neste período, Dulcina se afasta das atividades administrativas presenciais da Fundação Brasileira de teatro. Continua na presidência de maneira afetiva, mas os primeiros indícios de esquecimentos começam a se fortalecer. Desta época, constam as últimas fotos de Dulcina em eventos culturais;


1989 – Dulcina de Moraes se afasta formalmente das atividades da FBT. Há uma crise na instituição. Neste período, Sérgio Viotti também se afasta do conselho e da presidência e entra em cena a gestão do ator, diretor e produtor B. de Paiva;


1990 – Uma grande crise no Teatro e na Faculdade Dulcina faz com que seja criada uma campanha para arrecadação de fundos. Algumas fundações e instituições doam obras de arte para a FBT a fim de que, com a venda dos itens, pudesse haver retorno financeiro. Na campanha Viva Dulcina, performances e espetáculos foram apresentados. O ator Paulo Autran visita a amiga durante a celebração.


1992 – Dulcina de Moraes recebe o título e medalha de Grão Mestre da Ordem Cultural do Brasil. A amiga Natanry Osório a acompanha na cerimônia;


1991 – Início do projeto “Temporada Nacional”, numa parceria com a Fundação Banco do Brasil e que culminou num dos períodos mais expoentes da instituição, com a reforma do Teatro Dulcina, a inauguração da Sala Conchita e a agenda de espetáculos de diferentes lugares do país;


1994 – Fim do Projeto Temporada Nacional e início de uma severa crise ocasionada pela prestação de contas do mesmo. Dulcina é diagnosticada com Demência Senil Severa e passa a fazer tratamentos médicos recorrentes;


1995 – Dulcina é interditada e passa a estar sob a tutela da sobrinha Vera Regina Malhado;


1996 – Em 28 de agosto, aos 88 anos, Dulcina fez sua passagem espiritual em uma tarde de agosto no Hospital Regional da Asa Norte, ao contrair pneumonia após ser operada de uma crise de diverticulite.


1997 a 2004 – Período em que a Faculdade Dulcina, mesmo com problemas internos, formou centenas de arte-educadores no DF;


2005 – Primeira Mostra Dulcina. Criada por Francis Wilker e professores da época, a mostra semestral de artes cênicas e artes visuais mostrava a criação de professores e alunos com excelência, fazendo com que a agenda de espetáculos saísse do ambiente acadêmico e se tornasse celebre na cena cultural brasiliense;


2007 – A exposição Dulcina, Sonhos Vestidos, foi aberta no Museu do TCU com originais e réplicas do Acervo de Dulcina. Organizado por Clarissa Borges e Francis Wilker, o evento chamou a atenção para as ações do Centenário de Dulcina, a ser realizado no ano seguinte. Ainda neste ano, por meio do Decreto 28.518, de 07/12/2007, DODF nº 234, de 10/12/2007, p. 3, o Teatro Dulcina e suas destinadas às atividades cênicas (plateia, palco, camarins, foyer, acessos e circulações adjacentes), bem como os acervos fotográficos, textuais e cênicas, remanescentes dos espetáculos protagonizados pela atriz dependências foram considerados sob a proteção do Governo do Distrito Federal, mediante tombamento como Bem Cultural do Distrito Federal, de valor histórico, o Teatro Dulcina de Moraes e suas dependências

2008 – Centenário de Dulcina de Moraes. Diferentes ações foram realizadas no ano para celebrar os 100 anos de uma das maiores atrizes do Brasil. Produtos licenciados, como Cartões Telefônicos e chamadas com Fernanda Montenegro na TV fizeram parte das ações. Marília Pêra e Claudio Mamberti participação de eventos como Aulas Magnas, Simpósios e o lançamento do livro “Dulcina e o teatro” de seu tempo, escrito pelo amigo e ator Sérgio Viotti.


2009 – Transição da Gestão da FBT. Os anos de 2010, 2011 e 2012 foram marcados por grandes investimentos na instituição e reformas estruturais na Faculdade, no Teatro Dulcina e na Sala Conchita. Foi criado neste ano o Festival Dulcina de Cenas Curtas, com curadoria e produção de Francis Wilker e Josuel Junior. O festival teve três edições e dialogou com grandes nomes do teatro brasileiro por meio de simpósios, seminários e mostra competitiva com premiação em dinheiro, contando com a participação do teatro Galpão Cine Horto, Leonardo Lessa e Gero Camilo. Ainda em 2009, a Mostra Dulcina foi expandida para os teatros da Funarte e Caleidoscópio por decorrência da reforma do edifício sede, com boa aceitação de público e crítica;


2010 – São criados o selo Dulcina Parcerias Teatrais e a Editora Dulcina, que lança diferentes livros no período. Por meio do selo Dulcina Parcerias Teatrais, que funciona como uma incubadora cultural, espetáculos de destaques criados por professores e alunos circularam por festivais da América Latina, representando a instituição em diferentes produções. Em setembro do mesmo ano foi realizado o Simpósio “Teatro Pra Que Te Quero - Vida de Artista entre o Sonho e a Realidade”, no Teatro Dulcina. O objetivo do evento é estimular e oferecer orientação as novas gerações interessadas em teatro. O Simpósio conta com a participação de grandes nomes do teatro brasiliense, como Hugo Rodas, Fernando Guimarães, Gê Martú e Guilherme Reis. Além das mesas de discussão, é possível assistir a espetáculos teatrais e a um bate-papo entre a atriz Eva Wilma e estudantes da FADM;

2011 – O jornalista e professor Sérgio Maggio elabora o evento Mitos do Teatro Brasileiro e apresenta no CCBB uma edição comemorativa sobre Dulcina de Moraes, com performances e palestras de Luciana Martuchelli, Nicette Bruno e Françoise Forton;


2013 – Após uma nova crise na instituição, a energia elétrica do prédio é cortada e a Faculdade Dulcina passa pela tentativa de um processo de Distritalização. Posteriormente, a FBT sofreu interferência do Ministério Público do Distrito Federal, através da decisão pela intervenção judicial exarada no processo nº 2013.01.1.039266-9, que decidiu pelo afastamento dos dirigentes da época, em razão da ausência de prestação de contas e suspeita de irregularidades. Situação que durou até o final do ano de 2017.


2017Dificuldade ao acesso do processo do caso da Intermediação da Educação Cultural (Idec), que cobrava valores por certificados de graduação em Educação Artística como se a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes houvesse ministrado o curso a distância.


2022 – A atual gestão da FBT, presidida por Gilberto Rios, gestor cultural e ex-assessor pessoal de Dulcina, assume, com aval do próprio MP, o desafio de identificar as causas das crises anteriores e apresentar um plano de salvamento da instituição, que foi vítima das mais diversas articulações jurídicas e financeiras com o passar dos anos. Foi iniciado um novo processo de Salvaguarda e Inventário do Acervo de Dulcina de Moraes e da Fundação Brasileira de Teatro para fins de preservação do rico arsenal teatral, têxtil, documentário, fotográfico, mobiliário e imaterial ligado à instituição e à memória do teatro do Brasil.


2023 – Em um acordo histórico, a conta de energia, após anos de atraso e inadimplência, é religada por meio de parceria com a Neoenergia. No mesmo ano, Dulcina vira tema de episódio da série Companhias do Teatro Brasileiro, do Canal Curta!, livro infanto-juvenil da Coleção Mestres Cobogós, pauta de reportagens locais e nacionais e especial de televisão da TV Globo com distribuição no Globoplay.


2023 – O leilão que encerra mais uma história de sucesso e de luta do teatro brasileiro.



FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TEATRO https://dulcina.art.br/carta-aberta-a-sociedade/

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