GOIÂNIA RECEBE 1º DANÇA NEGRA CONTEMPORÂNEA - MOSTRA ARTÍSTICA
- Josuel Junior - Editoria
- há 5 horas
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“Falar de uma educação antirracista na dança é ampliar olhares, provocar reflexões e criar outras possibilidades de existência para corpos negros na arte” diz a idealizadora da mostra, Cristiane Santos

A Dança Negra Contemporânea - Mostra Artística propõe dar visibilidade a espetáculos afrocentrados dando protagonismo a artistas negros, tanto no palco, quanto nos bastidores. O evento inédito é apoiado pela Lei Municipal da Secult Goiânia e exibe espetáculos na capital a partir de terça-feira (14/04) até quinta-feira (16/04). As apresentações seguidas de bate-papo com o público serão realizadas todas no Centro Cultural UFG (CCUFG), sempre às 20h, com entrada solidária de alimento não perecível e retirada de ingressos pelo Sympla.
A mostra exibe três espetáculos: “Trama”, do Nômades Grupo de Dança, “Adobe” do Grupo Solo de Dança e “Por cima do mar eu vim” do Núcleo Coletivo 22. Nos três dias, o público também irá acompanhar homenagens a grandes nomes da dança negra de Goiás. Os artistas Maria Zita Ferreira, Wanderley Cavalcante, William Bernardes, Ana Maria Alencastro, Cristiane Santos, Luciana Caetano e Renata Kabilaewatala terão o reconhecimento por toda trajetória e trabalho dedicado às artes e a Cultura.
Segundo a idealizadora da Dança Negra Contemporânea - Mostra Artística, Cristiane Santos, essa realização representa um marco fundamental para o fortalecimento, a visibilidade e a legitimação das produções negras no campo da dança. “A mostra evidencia a trajetória de grupos e de artistas negras e negros — professores e coreógrafos goianos — que, ao longo de suas carreiras, vêm sustentando e consolidando essa cena com coragem, resistência e compromisso político-estético. Nesse sentido, o evento não apenas apresenta trabalhos, mas também reconhece histórias, saberes e práticas que, por muito tempo, foram invisibilizadas”, destaca.
Sobre a própria trajetória, a artista explica que ao vivenciar a dança afro pela primeira vez, compreendeu que tinha encontrado o seu lugar. “Meu corpo respondia aos batuques, à percussão, às matrizes ancestrais que ali se manifestavam. A partir desse encontro, minha forma de dançar e de me posicionar enquanto bailarina negra foi sendo transformada”, contextualiza.
Homenagens
A mostra terá sete artistas com relevante papel na Dança Negra homenageados durante os dias de exibição dos espetáculos. São eles: a professora e autora do livro “Dança Negro, Ginga a História” pela Coleção Griô da Mazza Edições, Maria Zita Ferreira, que foi a primeira mulher preta a receber o Prêmio Jaburu em Goiás. O professor e mestre em danças africanas Wanderley Cavalcante e que, atualmente, reside em Bordeaux, na França. O gestor cultural, produtor executivo e coordenador geral do Nômades Grupo de Dança, William Bernardes e a Ana Maria Alencastro conhecida como Sinhá e reconhecida como a precursora do jazz em Goiânia.
Ainda será homenageada a mestra em Educação pela PUC-Goiás, Cristiane Santos que possui uma trajetória artística marcada pela diversidade de experiências no campo da dança – atualmente é diretora artística do Nômades Grupo de Dança. A bailarina e coreógrafa Luciana Caetano também será homenageada. Ela é especialista em Pilates, professora de Dança e integra o Fórum de Dança de Goiânia e o Colegiado Nacional de Dança.
A artista da cena, pesquisadora e docente Renata Kabilaewatala também será homenageada. Ela é diretora artística do Núcleo Coletivo 22 e coordenadora do Espaço Cultural Águas de Menino, espaços onde tece processos de criação e formação atravessados por poéticas afro-ameríndias.
“Ao longo da minha trajetória, enfrento as tensões e os preconceitos que atravessam a presença de uma artista negra em diferentes espaços — seja pela exotização, pela subalternização de saberes tradicionais ou pela constante necessidade de legitimação”, afirma Renata.
De acordo com a homenageada, a Mostra reconhece que existem corpos negros em movimento, histórias que se inscrevem na cena e poéticas que atravessam o tempo. “Além do valor artístico e político, considero fundamental a existência de espaços em que possamos nos reconhecer umas nas outras, fortalecer vínculos e valorizar nossos pares. Esse reconhecimento não é apenas simbólico — ele produz pertencimento, cria redes de apoio e afirma a legitimidade de nossas trajetórias”, finaliza.
PROGRAME-SE
Assunto: Dança Negra Contemporânea - Mostra Artística
Quando: Espetáculo - Trama (45min) na terça-feira (14/04)
Espetáculo Adobe (50min) na quarta-feira (15/04)
Espetáculo Por Cima do Mar eu vim (50min) na quinta-feira (16/04)
Horário: sempre às 20h
Onde: Centro Cultural UFG, Av. Universitária, 1533 - Setor Leste Universitário, Goiânia - GO
Ingresso Solidário: pelo Sympla - Doe um Alimento
Mais informações: @nomadesdanca





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