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EXPOSIÇÃO HOMENAGEIA OS 70 ANOS DO LIVRO "GRANDE SERTÃO: VEREDAS" NO CENTRO CULTURAL CORREIOS, EM NITERÓI - RJ

Mostra da artista visual gaúcha Graça Craidy, com abertura sábado (7/2), reúne 50 obras, com destaque para retratos dos personagens da obra-prima de Guimarães Rosa

Artista ao lado de tríptico em que mostra bando de jagunços - Divulgação da artista
Artista ao lado de tríptico em que mostra bando de jagunços - Divulgação da artista

A obra-prima do escritor mineiro João Guimarães Rosa (1908/1967), o romance “Grande sertão: veredas”, considerado um dos mais importantes livros da literatura nacional e mesmo da mundial, completa 70 anos de seu lançamento, ocorrido em 1956, e recebe como homenagem uma exposição no Espaço Cultural Correios, em Niterói.

 

De sábado (7/2), às 15h30, quando será inaugurada, até 28 de março, a mostra “Grande Sertão”, da artista visual gaúcha Graça Craidy, perfila 50 obras, entre as quais destacam-se retratos dos principais personagens da aclamada ficção de Guimarães Rosa, como Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro, Hermógenes, Zé Bebelo, Otacília, Nhorinhá, Manuelzão, Sô Candelário e Quelemém, por exemplo.

 

O próprio escritor, que foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, aparece em dois retratos - em um deles se embrenhando no Cerrado a cavalo junto com vaqueiros - excursão que de fato aconteceu na fase em que coletava dados para escrever a obra. A flora e a fauna da região onde se desenvolve a narrativa, entre Minas Gerais, Bahia e Goiás, ambientam a exposição, com coqueiros buritis, pássaros e aves saídos dos pincéis da artista.

 

Para se nutrir sobre a temática abordada, Graça, de 74 anos, que vive e tem ateliê em Porto Alegre, não só leu o romance como fez um curso – Travessia - sobre o livro, lendo, relendo e debatendo a narrativa por meses com a professora da USP Maria Cecilia Marks. A artista também pesquisou teses, monografias e ensaios sobre o livro e assistiu algumas vezes ao monólogo “Riobaldo”, protagonizado pelo ator carioca Gilson de Barros, com direção de Amir Haddad. O ator, aliás, fará um pocket show na abertura da exposição no Espaço Cultural Correios.

 

Trabalho “expressionista e apaixonado”

“Espero que os visitantes se encantem com a história em quadros do meu ‘Grande Sertão’ particular, expressionista, apaixonado, de cores turvas, ternas e terrosas. Em cada personagem, cena, gesto, o meu gentil convite para despertar nas pessoas o desejo de ler esse grande romance”, diz Graça.

Divulgação da artista
Divulgação da artista

Esta é a quinta vez que a artista une sua arte à literatura. A primeira foi na coleção “Clarices”, de 33 retratos de Clarice Lispector, já montada no Rio de Janeiro, Niterói, Brasília, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba; a segunda e a terceira foram nas coletivas  Autorias I e Autorias II, que organizou e participou ao lado de 42 artistas gaúchos que retrataram 51 escritores do Rio Grande do Sul; “Grande sertão” e, em dezembro passado, a exposição “Erico”, em homenagem aos 120 anos de nascimento de Erico Verissimo.

 

Inovação linguística

Mineiro de Cordisburgo, Rosa foi médico e depois diplomata, atuando no exterior e no Brasil. Morava no Rio, à Rua Francisco Otaviano, 33, em Copacabana, quando escreveu as quase 600 páginas de “Grande sertão: veredas”. Recebido com aplausos pela crítica, principalmente por suas inovações linguísticas, o livro foi um dos mais vendidos durante meses e venceu prêmios literários como o Machado de Assis. Em 2002, entidade de editores noruegueses incluiu o romance entre os 100 melhores livros de todos os tempos.

 

“Grande sertão: veredas”, na leitura de Graça Craidy, “retrata o Brasil profundo, em plena mudança do Império para República, a contragosto dos senhores de terra e coronéis que viam no poder central republicano a anulação do seu poder histórico exercido nas pequenas comarcas desde o tempo das sesmarias”.

 

Para ela, “naquele momento histórico de surdas batalhas entre fazendeiros e seus jagunços contra a polícia e os novos políticos representando a República, um sertão recortado por rios, veredas, coqueiros-buritis, pássaros e animais selvagens acoita homens comuns incomuns à cata de poder e de Deus, em fuga da morte e do Diabo, divididos entre o bem e o mal, regurgitando questões caras à humanidade, como o amor, e mais que amor, o amor entre dois guerreiros: Riobaldo e Diadorim”.

 

PROGRAME-SE

Exposição: “Grande sertão”

Artista: Graça Craidy

Abertura: sábado (7/2), às 15h30, incluindo pocket show do ator Gilson de Barros

Visitação: de 2ª a 6ª, das 11h às 18h; sábado, das 13h às 18h

Local: Espaço Cultural Correios, Av. Visconde do Rio Branco, 481, Centro, Niterói, RJ

Entrada franca

Divulgação da artista
Divulgação da artista

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