COMUNIDADE DO MERCADO SUL DE TAGUATINGA LANÇA FOTOLIVRO E EXPOSIÇÃO COM MEMÓRIAS DO TERRITÓRIO
- davicdm
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Projeto Chão de Cores traz ao público um acervo visual sensível sobre o Beco da Cultura, apontando reflexões sobre território, memória, patrimônio cultural e direito à cidade

O Mercado Sul de Taguatinga é considerado um dos mais importantes espaços de produção artística, cultura popular periférica e memória coletiva no Distrito Federal. Há mais de quatro décadas, artistas, moradores e iniciativas culturais de vanguarda sustentam e revitalizam o território. Desde 2015, toda essa pulsão criativa articula a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive. Um afetivo recorte desse legado de resistência foi documentado pelo Coletivo Retratação no fotolivro ‘Mercado Sul: Um Chão de Cores - Memórias do Beco da Cultura de Taguatinga (DF)’, lançado no dia 21 fevereiro, durante a festa de 11 anos da ocupação.
Organizada pelo jornalista e fotógrafo Webert da Cruz e pela percussionista e antropóloga Ana Noronha, a obra reúne um acervo histórico com fotografias, pesquisas, textos e depoimentos que narram a trajetória cultural, as transformações e a atuação de diferentes gerações de artistas e moradores do Beco da Cultura, como também é conhecido o Mercado Sul. O livro também homenageia o fotojornalista Ivaldo Cavalcante, cearense radicado em Taguatinga que durante a década de 1970 realizou os primeiros registros fotográficos da cultura viva da comunidade e de seus arredores.
Salvaguarda e patrimônio cultural
A publicação do fotolivro integra o projeto “Mapeando Memórias Visuais: Mercado Sul – Um Chão de Cores”, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG-DF), e é resultado de um processo continuado de mapeamento do acervo visual do território. O projeto conecta fotografia, pesquisa, escuta e convivência como estratégia de preservação da memória, tendo como um dos principais objetivos contribuir para o reconhecimento do Mercado Sul como Patrimônio Cultural Imaterial de Taguatinga e do Distrito Federal.
Em 2015, foi protocolado um primeiro pedido de patrimonialização do território junto ao Governo do Distrito Federal. Em 2021, a campanha “Mercado Sul é patrimônio cultural material e imaterial do DF” mobilizou diversos agentes culturais, intensificando o encaminhamento da pauta dentro e fora da comunidade. Atualmente, o processo está em discussão através de um grupo de trabalho do Conselho de Defesa ao Patrimônio Cultural (CONDEPAC-DF), instância participativa da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF.
Webert da Cruz explica que o fotolivro propõe uma aproximação sensível do público com as camadas íntimas e simbólicas do Beco da Cultura. “Com essa pesquisa, conseguimos ampliar o olhar sobre as complexidades desse lugar que encanta, mas que também enfrenta desafios diversos de infraestrutura, manutenção das atividades culturais e cuidado com as pessoas”, destaca o fotógrafo, que em 2018 já havia produzido uma grande reportagem sobre o movimento de ocupação cultural do local em sua graduação em jornalismo, intitulada ‘Retomar para Reinventar’.
No recorte narrativo do fotolivro, passado, presente e futuro se atravessam a fim de circular a memória para as novas gerações. Ana Noronha, que pesquisou na sua graduação (UnB) a relação entre Estado e Sociedade Civil em processos de patrimonialização, destaca o forte poder de criação de conhecimento e de fortalecimento de vínculos que o Mercado Sul tem. “Este livro celebra as pessoas que estiveram aqui, valoriza quem permaneceu e segue movimentando atualmente e incentiva todos a construírem um futuro”, comenta a antropóloga.
Exposição fotográfica e distribuição dos livros
O projeto Chão de Cores também lançou uma exposição fotográfica com múltiplos olhares sobre as práticas culturais presentes no território, como teatro popular, artes visuais, cultura ballroom, capoeira, samba, entre outras. Com curadoria de Webert da Cruz e Rick Paz, a mostra traz registros de 13 artistas do movimento cultural do Mercado Sul: Angel Luis, Davi Mello, Diana Sofia, Ester Cruz, Ivaldo Cavalcante, Matheus Alves, Nara Oliveira, Raissa de Oliveira, Ramona Jucá, Rick Paz, Thiago S. Araújo, Webert da Cruz e Yuri Barbosa.A pesquisa para a produção do fotolivro e da exposição incluiu rodas de conversa, mediações e visitas guiadas, catalogação de cerca de 200 imagens históricas, ensaio fotográfico com moradores e agentes culturais locais e uma intervenção artística nos muros do beco, através de pinturas, grafites e lambes.
“Essa é mais uma oportunidade de fortalecer a memória, o pertencimento e a permanência desse território cultural periférico que vem transformando a cidade de Taguatinga há muito tempo”, completa Webert.
A exposição ‘Chão de Cores - Mercado Sul: memória, cultura e movimento’ segue aberta ao público até o dia 27 de março, no Espaço Okupa. As visitações têm entrada franca e podem ser realizadas às quartas e quintas, das 9h às 12h, e às terças e sábados, das 13h às 18h. Escolas, educadores e projetos pedagógicos podem solicitar mediação pedagógica coletiva, através de agendamento prévio pelo whatsapp: 61 9.8530.2049 (Garnet).
Décadas de luta pelo direito à cidade e à cultura O Mercado Sul foi construído e inaugurado em Taguatinga no final da década de 1950, antes mesmo de Brasília, como um dos primeiros centros comerciais do DF. Desde a década de 1970, superando especulações imobiliárias e abandono governamental, passou a ser revitalizado continuamente por moradores e movimento cultural. Em 2015, sua comunidade criou a Ocupação Cultural Mercado Sul Vive, dando mais um passo na luta pelo direito à cidade. A articulação transformou lojas abandonadas em novos espaços vivos de arte, cultura e resistência, reivindicando também o reconhecimento do território como Patrimônio Cultural Imaterial do DF.“Contar a história do Mercado Sul é também disputar narrativas sobre a cidade, a cultura e o direito de permanecer”, resume o texto de apresentação do fotolivro Chão de Cores. PROGRAME-SE Projeto Chão de Cores QUANDO: até 27 de março: quarta e quinta, das 9h às 12h / terça e sábado, das 13h às 18h
ONDE: Espaço Okupa - Mercado Sul de Taguatinga (QSB 12/13) Agendamento para mediações pedagógicas: 61 9.8530.2049 (Garnet) Entrada: franca Classificação: livre Nas redes: https://instagram.com/mercadosulvive





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