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CIA TRIPTAL ESTREIA "QUASE UMA ESTÓRIA - ÁGUA PARADA QUE SUMIU NO BURACO"EM DOIS TEATROS

há 53 minutos
4 min de leitura

A montagem inédita marca a trajetória de três décadas e meia da Cia Triptal e investiga as narrativas do Brasil Colonial que chegam até nós por vozes historicamente autorizadas a contá-las.

Foto: Ronaldo Gutierrez
Foto: Ronaldo Gutierrez

Ao completar 35 anos de atuação contínua no teatro paulistano e com reconhecimento reafirmado na conquista de prêmios como APCA, Shell, APETESP, Mambembe, entre outros, a Cia Triptal estreia “Quase uma Estória - Água Parada que Sumiu no Buraco”, protagonizada por Fabrício Pietro, Maiara Astarte e Victor Barros, em 08 de outubro, no Teatro Alfredo Mesquita e em seguida faz seis apresentações no Teatro Maria Della Costa, no mês de novembro.

 

Em Quase Uma Estória, a proposta é revelar as lacunas escondidas na narrativa colonial e trazer à cena a perspectiva contemporânea sobre a “história oficial”, uma contestação feita na peça por vozes indígenas e femininas. Trata-se de um diálogo com a obra O Sumidouro, porém invertendo a lógica histórica e documental proposta por Jorge Andrade (1922-1984), abrindo nossa escuta para os saberes e memórias ancestrais que sobreviveram aos séculos de apagamento e violência, por meio da cultura da oralidade, diz o diretor e encenador Fabrício Pietro, que também atua na peça.


Neste país de narrativas apagadas e distorcidas, o que é Estória e o que é História? Temos nos organizado a partir de qual perspectiva/narrativa? Qual cosmovisão consideramos diante da  pergunta: Quem somos nós? Dramaturgicamente, essa investigação se constrói a partir do confronto entre três personagens e três lugares distintos diante da História. Vicente (Fabricio Pietro), dramaturgo que pretende revisitar a trajetória dos bandeirantes e revelar as contradições de Fernão Dias, acredita estar questionando a narrativa oficial, mas gradualmente se vê implicado na mesma lógica de poder que procura denunciar. José Dias (Victor Barros), personagem histórico atravessado pelo conflito entre sua origem indígena e o universo dos bandeirantes, vive no próprio corpo a disputa entre pertencimento, identidade e violência colonial. Já Martha (Maiara Astarte), inicialmente apresentada como funcionária da casa de Vicente e leitora silenciosa de seu manuscrito, passa progressivamente de observadora a interlocutora crítica, recusando o lugar que lhe foi atribuído e reivindicando o direito de narrar a própria experiência.

 

A narrativa passa, assim, a disputa entre representação e experiência ao confronto com as vozes indígenas, ampliando-se posteriormente para as mulheres, os corpos, os afetos e os desejos. É nesse deslocamento que a questão política se transforma em ação dramática: enquanto Vicente perde progressivamente o controle sobre a história que pretendia contar, José Dias e Martha deslocam o centro da narrativa, fazendo emergir outras formas de olhar, lembrar e produzir conhecimento.

 

A peça revela que a disputa pela narrativa permanece organizando o Brasil contemporâneo e afirma que imaginar outros futuros exige transformar não apenas quem conta a História, mas também os modos de conhecê-la, lembrá-la e transmiti-la.


Sua dramaturgia investiga famílias, classes sociais, relações de poder, transformações econômicas, deslocamentos, conflitos de território, violência e processos de apagamento. Mas não oferece respostas fechadas. Ao contrário, sua obra abre fissuras.


Em O Sumidouro, a discussão sobre os bandeirantes e a construção dos heróis nacionais permite questionar as versões consagradas da história e observar os mecanismos através dos quais determinadas narrativas se tornam oficiais. A presença de José Dias, personagem marcado pela mestiçagem e pelos conflitos culturais e raciais, amplia ainda mais a discussão sobre a formação da identidade brasileira.


É nessa perspectiva que a Triptal aproxima Jorge Andrade das questões contemporâneas.”, assinala André Garolli.

 

A PESQUISA CONTINUADA

Foto: Ronaldo Gutierrez
Foto: Ronaldo Gutierrez

A montagem se insere no contexto da pesquisa iniciada em 2022 “A Tragédia Da Historiografia Do Estado Brasileiro Pela Ótica De Jorge Andrade”, em ocasião do centenário do autor, que permitiu imersão na obra de um dos importantes nomes da dramaturgia brasileira, por meio de seminários, oficinas, leituras cênicas e a encenação de “Pedreira das Almas”, no segundo semestre de 2022. A pesquisa nasceu da aproximação entre a trajetória do dramaturgo, sua memória familiar e os processos históricos que marcaram a transformação econômica, social e política do Brasil, especialmente a modernização paulista do início do século XX.

 

QUEM FAZ

QUASE UMA ESTÓRIA: Água Parada que Sumiu no Buraco

Uma obra livremente inspirada em “O Sumidouro” de Jorge Andrade.

 

Direção: Fabrício Pietro e André Garolli

Encenação: Fabrício Pietro

 

Elaboração dramatúrgica: Fabrício Pietro

Colaboração Dramatúrgica: Luís Holiver

Preparador e Consultor de Culturas Indígenas: Thiery Maciel

 

Colaboradores de texto: Victor Barros, Fabrício Pietro, Maiara Astarte, Thiery Maciel, Vicka Tupi, Gabriela Eugênio, Gabriela Woods, Bruno Macedo, Dai Oliveira, Edu Rosa, Lilian Menezes, Nay Fernandes, Paulo Camilo e Kelly Andrade.

 

Elenco: Fabrício Pietro, Maiara Astarte, Victor Barros, Thiery Maciel, Alexandre Adas, Bruno Macedo, Dai Oliveira, Edu Rosa, Lilian Menezes, Nay Fernandes, Paulo Camilo e Kelly Andrade.

Elenco/pesquisadores: Bruno Salatinos, Édson Duavy, Fernando Pernambuco, Gabriela Woods, Gabriela Eugênio, Lenise Oliveira, Luis Holiver, Nelson Fioque, Pax Bittar e Victor Barros.

Aprendizes: Beatriz Rosa, Clara Pozzuto, Chloé Benoit e Kelly Andrade

 

Trilha sonora: Pax Bittar

Cenógrafo: Diego Dac

Adereços: Diego Dac e Luana Miyamoto - Xapiri Ateliê

Iluminação: Fran Barros

Direção de Imagem e Videomapping: André Grynwask e Pri Argoud (Um Cafofo)

Figurino: Juliana Bertolini

Preparação Corporal: Anderson Gouvêa

Preparação Teatro do Oprimido: Sérgio Audi

 

Preparador e Consultor de Culturas Indígenas: Thiery Maciel

Palestrantes: Davi Rodriguez Ruivo, Leandro Karaí Mirim, Lenise Oliveira, Paulo Schiller e Judson Forlan Cabral

Orientadores de Cultura Históricas: Ricardo Luiz de Souza, Marcos Francisco Napolitano de Eugenio e Danilo José Zioni Ferretti

 

Assessoria de Imprensa: Adriana Monteiro - Ofício das Letras

Assessoria de mídias sociais e tráfego pago: Onze06 Assessoria Marketing

Designer gráfico: Lucas Sancho

 

Direção de produção: André Garolli

Coordenação de produção: Fabrício Pietro

Produção executiva: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques - Rodri Produções

Assistência de produção: Gabriela Woods

Realização: Cia. Triptal - 35 anos

  

PROGRAME-SE

 

TEATRO ALFREDO MESQUITA - OUT

DATA: 08 de outubro a 01 de novembro de 2026

HORÁRIOS: Quinta a sábado às 20h | Domingo às 19h

SESSÕES EXTRAS: Dias 22, 28 e 29 de outubro (qui, quarta e quinta)

HORÁRIOS: Quarta às 20h e Quinta às 14:30

VALOR DO INGRESSO: Gratuito - Presencial

 

Teatro Maria Della Costa - NOV

Estacionamento no local

Possui acesso PCD

Dias 6, 7 e 8 de novembro

Sexta e sábado 20h

Domingo 18h

     

Dias 10, 11 e 12 de novembro

Terça às 20h

Quarta às 14h30 e 20h

Quinta às 20h

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