É FODA! CONHEÇA A CANÇÃO-MANIFESTO DE LUI

Ele é artista da cena, cantante, produtor e gestor cultural. Com o EP "É só o Amor" tem ganhado as redes revelado um potente trabalho que atravessa sentimentos.

Arte sobre foto de Diney Araújo

Sabe aqueles artistas que a gente encontra nas redes, passa a seguir e vai vendo uma constante evolução em seu trabalho? É isso que sinto com Luiz Antônio Sena Jr. Acho que o acompanho pelo instagram desde 2018. Artistas gostam de encontrar outros artistas que, de certo modo, têm coisas em comum, além, claro, de amigos e conhecidos que se cruzam pelas redes.


Recentemente, passei a ver um movimento curioso no Feed do Instagram. Eram repetições da expressão "É FODA!" em vários compartilhamentos. Passei a primeira vez, passei a segunda vez e, de repente, parei e pensei: Preciso entender o que tá pegando!


Era ele... Em postagens e compartilhamentos belíssimos, fortes, potentes, presentes, vívidos e vigorosos. Ele e seu novo single, que abre portas para um trabalho que não começa aqui...


Luiz Antônio Sena Jr é ator, dramaturgo, diretor teatral e desde 2018, quando apresentou o espetáculo #ComproVendoTrocoAMOR, que contava com releituras de clássicos da MPB, passou a incluir o título de “cantante” em seu portfólio. Foi a partir desse musical que jogou no mundo seu primeiro EP, passando a assinar com o pseudônimo LUI. Agora, já mais amadurecido de seus propósitos e numa perspectiva de carreira, lança seu primeiro EP produzido por Bruno Michel e através da Candyall Music, Selo e Editora de Carlinhos Brown - que possui parcerias globais com a ADA Music e a editora Warner Music para distribuição de suas obras.

O EP #ÉSóAmor nasceu da inquietação de trazer temas que permeassem questões que atravessam a homofobia, como preconceito, ancestralidade, sorofobia, relações homoafetivas e a percepção do mundo com nossos pares. Questões essas que virão à tona através das letras e melodias de canções que serão lançadas uma por mês, até setembro, quando o EP será distribuído de forma completa com outros registros, acentuando a personalidade e estética do artista través de melodias e rimas próprias.


O projeto começa a encantar pelas imagens. LUI é notadamente uma figura bonita, que amedronta e aproxima ao mesmo tempo. Não é sobre curtir fotos e vídeos nas redes. É sobre curtir fotos, querer ler as legendas e saber o que está por trás de casa postagem. Sabe aquele perfil para apreciar sem moderação? É o dele! Há várias estações na rolagem de suas fotos: chamadas de lives, ensaios fotográficos, registros íntimos e a prática do palco.


É SÓ O AMOR

A primeira faixa do projeto COMIGO NINGUÉM PODE foi lançada em maio, trazendo o swingado dos sons da Bahia que fazem o corpo remexer para falar dos preconceitos que atravessam as minorias pelas ruas da cidade que diz Salva-dor. Das folhas do terreiro às árvores do quintal de vó, LUI encontrou na planta comigo ninguém pode a metáfora para uma lida diária de afirmação do meu existir gay: cheio de amor pra dar mas também pronto para atacar caso seja ferido, maldito, maltratado.


Trazendo essências dissidentes em sua letra e melodia, ENREDO que foi lançada no ultimo dia 18 de junho, sugere a interferência e força divina sobre seus filhos, protegendo-os de julgamento da sociedade sobre os preconceitos e estigmas. Com um estilo fouk e influências do rap, através de metáforas LUI, dividiu a faixa com o rapper Hiran para afirmar que não importa quanto ferido esteja, sua ancestralidade sempre estará lhe guiando, protegendo e a continuar afirmando que todos nós estamos juntos no mesmo enredo, independente de gênero, classe, raça, cor, religião.


POSITIVO vem a ser a terceira faixa, lançada no ultimo dia 09 de julho em um feat com Dan Vasco, do grupo baiano “Filhos de Jorge”. A música que foi composta exclusivamente para o projeto por Marcelo Quintanilha, asseverado o amor homoafetivo para descortinar preconceitos e estigmas. Tomando o amor como força motriz e matriz para mergulhar na afirmação das narrativas que dissendem da norma hetero, LUI aposta nesta gravação para trazer à baila questões que ultrapassam a fronteira das minorizações sociais como é o caso da soropositividade.

E por fim, agora em agosto foi distribuído a canção-manifesto É FODA, mobilizando a gente por inteiro (sem a dicotomia corpo e mente) frente às situações de miséria, estigmatização, descaso, vulnerabilidade, preconceito, etc. O Brasil, cada dia mais, coleciona tragédias, alcança o topo nos rankings de violência, de negação aos direitos humanos, de validação da vida. Mas LUI através do seu canto vem afirmar que com afeto se dribla o sistema e pode-se escrever histórias de afirmação. E é disso que ele exalta também no clipe, trazendo diversos personagens reais que vida que superam suas adversidades para seguir uma vida mais feliz.

Quando se dá o play em seu mais recente videoclipe, a sensação inicial é a de que é vem aí mais uma canção de protesto, mas a figura de linguagem muda de sujeito... Ao falar das mazelas do país que mais mata travestis e das inseguranças da vida, Lui traz pra si todas essas questões e fala abertamente de temas que a gente sabe que precisam ser mais e mais conversados. E ele traz... Ele traz e é aí que somos arrebatados pela mesma força que um dia ele deve ter sentido. A força da autoafirmação e da coragem. A força de usar a arte para falar de si e do mundo. O refrão não é só um refrão. É o gozo da constatação da liberdade. É a sensação de respirar aliviado depois do coração ter experiementado outros compassos.


Pelo artista que é, pelo provocador que é, pela mente pulsante que tem, pela representatividade de tantas e tantos que merecem ser musicados, por tudo que viveu e pelo o que ainda virá, encerro esta matéria com uma frase inevitável: Ele é foda!


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