"SE FOSSE APENAS ÁGUA..." - UMA PEÇA-FILME

Peça-filme Se Fosse Apenas Água... traz um rio como protagonista e narrador de sua própria história.

Foto: Rodrigo Spina

Um rio narra a sua história, contando a construção e crescimento de uma metrópole às suas margens, a urbanização que tenta domar as águas e as relações disfuncionais que seus habitantes têm com a água. A peça-filme Se Fosse Apenas Água..., trabalho de estreia do Guatambu Teatro, acontece de 16 a 24 de abril pelo Youtube da companhia.


A inspiração vem da história da fundação e urbanização da cidade de São Paulo, que ainda hoje é usada como modelo para o restante do Estado e do país. Busca-se localizar historicamente os pontos de origem para problemas atuais, como as enchentes e a grilagem de terras com nascentes.


Além disso, a obra provoca a reflexão cidadã sobre outros projetos de cidade possíveis de serem construídos no futuro próximo. Para dirigir Se Fosse Apenas Água..., a companhia convidou Rodrigo Spina (Prêmio Aplauso Brasil de melhor direção pelo espetáculo Aqui estamos com milhares de cães vindos do mar). A dramaturgia é assinada por Gabriel Pangonis e o próprio grupo, com orientação de Isa Kopelman (Prêmios APETESP e Troféu Mambembe de melhor atriz). A cenografia é de Julio Dojcsar (Prêmio Shell) e o figurino de Beatriz Schwartz. O elenco é formado por Gabriel Pangonis, Lucas Fernandes e Samantha Rossetti.


A principal poética da obra é dar voz ao rio, deixar ele expressar suas opiniões e impressões através da boca da atriz. Assim como imaginar sua subjetividade e angústias frente aos rumos que a urbanização tomou. A obra desloca o ponto de vista da plateia, através do ponto de vista do rio, como um convite a ver outras possibilidades de cidade. Se Fosse Apenas Água… foi gravado em pontos importantes da cidade de São Paulo, como Vale do Anhangabaú e Edifício Copan.


“Nos articulamos em cima da necessidade de estranhar e debater essa realidade, encontrando uma linguagem potente para esse procedimento. Nesta pesquisa, a ficção não poderia dar conta de reproduzir a realidade, mas com ela pode-se dilatar o real, amplificar o que é histórico, sintetizar as divergências políticas, imaginar o que poderia ter sido, inverter a situação e dar voz a quem não pode falar”, conta o dramaturgo Gabriel Pangonis.



Ao perceber que a cidade foi construída dessa forma por determinados motivos, pode-se pensar razões para construí-la diferente daqui para frente. Por isso, o espetáculo se completará nos bate-papos da equipe criativa com a plateia, expandindo os horizontes para além da apreciação estética em direção à discussão cidadã. Estas atividades serão acompanhadas de ações de acessibilidade, colaborando ao acesso da comunidade surda que, tão frequentemente, tem seus direitos culturais e sua participação cidadã nas discussões dificultadas. Assim, convidamos o público a conhecer uma nova perspectiva sobre sua história, e conosco, vislumbrar que a cidade poderia, e ainda pode, ser diferente.


SOBRE O GRUPO

Oriundos do mesmo espaço formativo e criativo - a Universidade Estadual de Campinas - os componentes do Guatambu Teatro têm o início de sua história neste trabalho. O processo da criação de Se Fosse Apenas Água... começa anos antes, com as pesquisas de iniciação científica realizadas por Gabriel Pangonis dentro do departamento de artes cênicas da Universidade Estadual de Campinas. A partir disso, explorou-se ferramentas possíveis para que atores e atrizes construíssem suas composições sobre essas questões.


O que antes era pesquisa, então se configura como a proposição de um espetáculo teatral. Em busca de viabilizar essa primeira obra do grupo, busca-se ajuda de alguns de seus queridos mestres, professores da Unicamp e artistas atuantes na cena paulistana, que generosamente se engajaram na empreitada de fazer o espetáculo acontecer e de apresentar esses jovens artistas à cena profissional.


Assim, com o apoio de alguns de seus professores veteranos do teatro paulistano, começaram os ensaios de Se Fosse Apenas Água..., primeira obra do grupo, na Casa de Cultura Vila Guilherme, localizada na zona norte da cidade de São Paulo. Com a pandemia, o grupo readaptou o projeto para a estreia, em formato de peça-filme digital.


QUEM FAZ

Direção e Fotografia: Rodrigo Spina

Dramaturgia: Gabriel Pangonis e o grupo

Orientação dramatúrgica: Isa Kopelman

Atuação: Gabriel Pangonis; Lucas Fernandes; Samantha Rossetti

Cenografia: Julio Dojcsar

Figurino: Beatriz Schwartz

Direção de Produção: Gabriel Pangonis

Produção Executiva: Beatriz Schwartz

Designer gráfico: Junior Romanini

Operação de luz e assistência de produção: Luan Assunção

Operação de som, legendagem e assistência de produção: Rafa Marotti

Montagem: Rafaela Bermond e Rodrigo Forti - Bermond Produções

Mixagem de som: Rafael Bonini - Bermond Produções

Mídias Sociais: Rúbia Galera

Tradução em LIBRAS: Libraria - Acessibilidade em LIBRAS

Assessoria de imprensa: Pombo Correio


PROGRAME-SE

16 a 24 de abril de 2021

Sextas, Sábados e Domingos, às 20h.

Gratuito no Youtube do Guatambu Teatro

Duração: 25 min.

Classificação indicativa: Livre