PRECISAMOS FALAR DE... RICARDO SOUZA

De Valparaíso de Goiás para Nova Iorque - Conheça a trajetória do dançarino Ricardo Souza, que segue firme para fortalecer sua carreira nos Estados Unidos.

Arte sobre fotos de redes sociais/ Foto central de Kristal Kane

São muitos os artistas e profissionais da dança e do teatro que se aventuram em terras estrangeiras para potencializar suas atividades. Muitos buscam outros países para fortalecer o currículo ou para vivenciar novas técnicas. Há os que vão por tempo curto e há os que vão com o intuito de morar e constituir uma vida em outro lugar.


Ricardo Souza morou em Valparaíso de Goiás, cidade no entorno do DF, até os oito anos de idade. Em 2000, a família foi para Brasília, onde estudou na Escola Classe 405 Sul, no Centro Ensino Fundamental 04, posteriormente, no Centro de Ensino Setor Oeste.


Em Brasília, realizou trabalhos em produções como "Hairspray: Bom Dia, Baltimore!", na versão musical do filme "Burlesque" e no espetáculo "Cubanía – Un Corazón Revolucionario", produzido pelo Sindicato dos Bancários de Brasília. Mas vamos por partes...


Ele começou na dança de salão aos 13 anos. Começou acompanhando a mãe quando ela decidiu fazer aulas de dança à noite.

"Eu ficava copiando as pessoas do lado de fora da sala e o professor, para me dar uma lição, me chamou para dentro da sala. No fim, acabou me incentivando a aprender mais! Ganhei bolsa para fazer aulas todos os dias. A dança de salão me desenvolveu como homem. Aprendi como tocar nas pessoas com carinho e respeito, me conectar e socializar e me ajudou a diminuir a timidez", lembra.

 

O primeiro musical veio aos 18 anos, na versão brasiliense do musical "Hairspray - Bom Dia Baltimore". Depois, decidiu focar nas danças individuais, como ballet, jazz, contemporâneo e street dance. Passou pelas companhias Duo Cia de Dança, Corpo Coreográfico de Brasília, Foco Cia de Dança e foi coreógrafo da Companhia Juliana Castro.


Ele sempre teve o sonho de morar fora, mas sabia que seria difícil. Depois que começou a namorar, começou a planejar a vida à Nova Iorque. Os desafios foram muitos. Marina Vidal, sua namorada e colega de profissão, foi antes. Enquanto isso, ele começou a fazer curso online de inglês pra ir aproveitando o tempo. Nesse período, chegou a trabalhar em diferentes empregos pra se manter.


"Cheguei a ir para Nova York duas vezes antes de vir de vez. Para isso, na época trabalhava para 6 empresas diferentes. Me sentia o próprio Julius do 'Todo mundo odeia o Chris'. Ou era isso ou nada de viagem. Senti que algo tinha que mudar. Eu tinha que mudar!".


Demorou sete anos, duas idas a Nova Iorque, pelos menos uns 50 livros, cursos e muitas conversas para que começasse a enxergar a possibilidade de morar fora. As coisas mudaram quando decidiu escrever um projeto para o FAC - Fundo de Apoio a Cultura do Distrito Federal. O FAC exigiu uma carta de aprovação da escola que ele pretendia ir no exterior para concorrer à ajuda de custo. Já a escola norte-americana exige que o proponente comprove que tem condições financeiras para viver e pagar o curso como processo de aprovação. Aí começou sua produção logística pessoal.


Ricardo conseguiu alguém que tinha esse valor em conta para ser uma espécie de fiador diplomático. Nada simples, claro... mas deu certo. Com insistência, recebeu a carta de aceitação da Steps On Broadway, anexou ela ao pedido de ajuda de custo do FAC e cruzou os dedos.


"Eu não tinha nem 1/3 do dinheiro, nem notícia do FAC e já tinha pagado uma nota em documentação, passaporte, visto, I-20 e etc. Mas sou brasileiro e não desisto nunca. Mentira (Rs)! Nesse ponto já tinha desistido umas 10 vezes. Foi minha mãe e amigos que me mantiveram na linha", lembra.


Com FAC ou sem FAC ele decidiu ir. Não havia mais tempo! Juntou dinheiro para um mês e viajou. Somente depois de dois meses em Nova Iorque é que teve a notícia de que a verba do FAC havia saído.


"Quem vive no Distrito Federal e entorno sempre ouve que ter sucesso é passar em concurso público. Se não fosse pela minha mãe, não teria seguido em frente com a dança e hoje não estaria em Nova Iorque. Vim com o planejamento de ficar seis meses. Estou há quase dois anos e o sentimento é que à cada ano que passa são como cinco anos em termos de desafios e aprendizados”.

Reprodução: Redes Sociais

Nesses anos em na grande apple, Ricardo tem colecionado trabalhos com coreógrafos renomados como Chet Walker, coreógrafo do musical “Fosse” na Broadway, e James Kinney, nomeado melhor coreógrafo pela Broadway World pelo o Musical Newsies. Além disso, tem competido profissionalmente pelo estúdio de dança de salão Arthur Murray.


No período de pandemia, os EUA têm retomado as atividades aos poucos. O bailarino conta que durante um mês nada funcionou e que, assim como no Brasil, muitos profissionais perderam o emprego.


E DEPOIS DA PANDEMIA?


Ricardo conta que segue focando na arte e nos artistas. Quer fazer shows, musicais e competir mais. O momento pede paciência, ainda mais em Nova Iorque, onde a indústria cultural é super competitiva.


"Percebi que não importa se você está começando ou já é profissional, aquilo que pensa sobre o você e sobre o mercado que está inserido irá determinar a qualidade do seu sucesso. Inteligência Financeira e Emocional, Marketing e Business também fazem parte da carreira artística. Eu espero que assim eu possa ajudar mais pessoas a realizarem o mesmo."
RICARDO SOUZA

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