PRECISAMOS FALAR DE... CINTHIA OLIVEIRA

Ela é formada na Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Com larga experiência em dança, hoje faz sucesso na Itália aplicando aulas e participando de apresentações artísticas nos palcos e na TV. Precisamos falar de Cinthia Oliveira.

Parece que foi ontem que vi aquela moça de sorriso largo toda empolgada por ter saído do Ensino Médio em Minas Gerais direto pra uma Faculdade de Artes em Brasília. Ali não tive dúvida... impliquei com ela de cara! Ela falava alto, ria demais, era feliz demais e isso me deixava indignado. Como toda implicância que se preze, essa impressão foi se transformando em paixão à segunda vista. A menina que sorria demais era inteligente demais, generosa demais, divertida demais, aplicada demais e muito boa de improviso. Das lembranças que trago na vida, Cinthia é uma saudade que eu gosto de ter! Foram muitos trabalhos acadêmicos juntos, muitos seminários, números de dança e performances. Tudo aquilo que o frescor da faculdade provoca na gente.


Atualmente, a vejo apenas pelas redes sociais, sempre com uma foto mais incrível que a outra. Casada e com trabalho ativo em dança na Itália, ela é hoje tema da coluna do Portal Conteúdo... mas vamos aos poucos...


LA RAGAZZA

Cinthia fez parte da turma do 1º/ 2007 - 1º2010 da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. De lá pra cá, trabalhou com diversos professores e diretores de renome nacional. Dirigiu espetáculos teatrais e se especializou em Teatro Musical ao longo do seu percurso. Iniciou seus estudos de Ballet Clássico em Brasília, na academia Lúcia Toller. Foi convidada a fazer parte da DUO Cia de Dança e passou a ter contato direto e intenso com o ballet, jazz e Dança Contemporânea. Fez parte do Corpo Coreográfico de Brasília, como bailarina solista e integrou também o grupo Balé Flor do Cerrado, com foco na mistura de danças populares e ballet clássico contemporâneo, viajando por todo o nordeste do Brasil no ano de 2015.

Como bailarina e como diretora artística participou de várias montagens coreográficas de grandes ballet de repertório. Se tornou professora de teatro e dança, trabalhando e atuando em diversas instituições do Distrito Federal. No ano de 2016 aperfeiçoou seus estudos nas danças urbanas e em 2017 passou em uma audição para dançar e coreografar na Carioca Dance Ballet, uma companhia Italiana que leva a cultura brasileira pela Europa. Depois de trabalhar dois anos com participações televisivas, videoclipes, espetáculos em teatros e praças resolveu desligar-se da Cia. Hoje trabalha na Itália com eventos culturais como professora de dança e faz participações em realities de dança para alcançar um maior público e conseguir expandir sua arte.

"Quando eu iniciei o meu ensino médio em Minas Gerais, eu já tinha certeza do eu queria para a minha vida. Queria ir para Brasilia estudar artes, minha única dúvida era se seria dança ou artes cênicas. Sem pensar duas vezes, escolhi a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. Ao chegar ali, tudo era muito novo, Eu era uma garota de 17 anos de uma cidadezinha chamada Monjolos, com 2 mil habitantes. Brasilia pra mim era a cidade das oportunidades e eu agarraria todas elas."


No Dulcina, logo se tornou uma figura cativa. Era, de fato, uma ótima aluna e colega de turma. Ela arrasava em seus seminários. Eu ficava disputando com ela pra ver quem sabia mais sobre "A Ilíada" e "A Odisséira", de Homero. A cada apresentação sobre a obra nas aulas de História de Teatro competíamos pra ver quem tinha entendido mais aquelas páginas incontáveis de fotocópias. Como era bom participar daqueles momentos de aprendizado com Tullio Guimarães, Sheila Campos, Francis Wilker, Nei Cirqueira, Silvia Paes e Luisa Günther.

A turma de 2007 a 2010 no Dulcina foi uma turma muito popular. Não é exagero dizer isso. Muitos professores tinham vontade de dar aula pra ela e trabalhar com aqueles estudantes de artes. Era uma turma de licenciatura muito criativa e muito engajada. Tivemos uma ou outra experiência negativa, mas valeu muito a pena.


"A época que me marcou muito foi quando eu tive aula com os Irmãos Guimarães, diretores de renome no Distrito Federal. Eles conseguiram fazer uma pressão psicológica tão forte que naquele período a minha paz foi embora, sem falar nas aulas obrigatórias aos domingos . Lembro que falavam que eu tinha tanto talento, mas que não conseguia juntar com a técnica. Eu chorava tanto pensado que eu reprovaria, para mim era inaceitável. Chegou em um momento que eu disse: É a hora de crescer. Me libertei de toda aquela pressão e mostrei junto com os meus colegas o que éramos capazes de fazer. E logo em seguida veio o sucesso. Aprendi que nunca mais deixaria ninguém me pressionar ao ponto de apagar o meu talento porque quem escreve a minha história sou eu e mais ninguém.


Foi após a experiência com essa turma que houve uma mudança significativa no processo metodológico do Dulcina. Muitos traumas, insatisfações e queixas de assédio moral fizeram com que as turmas posteriores não precisassem passar por algo que parecia normal, mas que era desrespeitoso mesmo. Hoje há uma consciência maior sobre a ética no segmento das artes cênicas. Na época, essa discussão ainda era muito tímida. Nesse período, chegamos a fazer uma ou outra apresentação teatral juntos, mas era notória a inclinação de Cinthia pela dança, embora fosse também uma ótima atriz.


"Eu queria mais, mais conhecimento, mais desafios... Foi aí que a dança voltou para a minha vida. Comecei com a dança de salão, depois com a dança do ventre, com o ballet clássico, jazz, contemporâneo, teatro musical, stiletto, street jazz, hip hop etc. Minha vida artística amadureceu. Consegui me formar com um belíssimo SS. As portas começaram a se abrir, e eu pude realmente começar a viver do dinheiro que a arte me dava."


PASSIONE Quando se inscreveu para participar da Carioca Dance Ballet, Cinthia passou a trabalhar como bailarina e coreógrafa juntamente com os outros bailarinos que faziam parte da Cia. Nesse período, participou de programas de TV, dançou para alguns cantores conhecidos pelo público italiano, fez espetáculos em grandes praças, teatros e diferentes mídias.

"Durante esse percurso tive a oportunidade de adquirir muita experiência, afinal de contas eu dançava todos os dias. Aprendi a dançar e a valorizar as danças populares brasileiras e me apaixonei pelo samba. Depois dessas minhas experiência com a Cia. resolvi continuar morando na Itália. Hoje ainda continuo trabalhando como bailarina e professora em estúdios de dança. Ensino Samba e Stilleto."

A dificuldade de se chegar em um outro país sem sombra de dúvidas é o idioma. Há também o distanciamento, a solidão, a burocracia documental, etc. Cinthia conseguiu contornar a situação e hoje está muito feliz e pretende continuar escrevendo sua história. Talvez não seja tão fácil, mas ela tem disposição.


"Eu ainda sou aquela menina alegre e aplicada em tudo que me proponho a fazer só me tornei mais experiente, mais vivida, menos inocente. Ainda tenho dentro de mim o mesmo fogo que queimava por conhecimento, vontade de aprender, de me reinventar, de explorar , de me comunicar com o mundo. Penso que a inteligência me segue onde eu vou. Estou até hoje improvisando com tudo aquilo que a vida me dá."
CINTHIA OLIVEIRA

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