"O ARQUITETO E O IMPERADOR DA ASSÍRIA" EM MONTAGEM PRESENCIAL

Com assinatura do grupo Garagem 21 e atuação de Eric Lenate e Helio Cicero, peça espanhola de Fernando Arrabal discute os caminhos do totalitarismo e o confronto entre civilização e barbárie.

Foto - Bob Sousa

Escrita em 1967 pelo dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, O Arquiteto e o Imperador da Assíria é uma das peças fundamentais da reflexão sobre o pós-guerra e o totalitarismo que culminou no confronto. Uma montagem inédita do espetáculo, criada pelo grupo Garagem 21, estreia no Centro Cultural São Paulo, no dia 24 de setembro de 2021, sexta-feira, às 20h. A direção é de Cesar Ribeiro. No elenco, os atores Eric Lenate (Arquiteto) e Helio Cicero (Imperador). Este projeto tem apoio do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo – 10ª edição – 2019.

A obra estava prevista para estrear em março de 2020, quando a pandemia se instalou no país. Com os teatros fechados, só agora - um ano e meio depois - será possível haver palco e plateia ocupados, com lotação reduzida e protocolos de segurança sanitária obrigatórios disponibilizados ao público.

Situada em uma ilha deserta, a peça se inicia com um desastre aéreo que leva seu único sobrevivente a entrar em contato com um nativo que jamais teve contato com outro ser humano. A partir dessa interação, o sobrevivente busca impor ao outro suas ideias de cultura e civilização.

A escolha de montar O Arquiteto e o Imperador da Assíria representa uma continuidade da proposta de Cesar Ribeiro em dirigir peças que abordem sistemas diversos de violência.

Houve a opção de não representar na cena os elementos que poderiam remeter a uma ilha deserta – a escolha foi criar um terreno distópico não facilmente identificado, por meio de uma estética contemporânea que remete a jogos eletrônicos e HQs para representar uma sociedade que se vale do artifício e do arbítrio, em oposição à alegação de suposta “natureza das coisas”. Do mesmo modo, o desastre também deixa rastros que são utilizados cenicamente, como a cabine e a poltrona do avião, que se tornam, respectivamente, a cabana e o trono do Imperador.

A inspiração para esse cenário apocalíptico é múltipla. Há elementos da saga japonesa Ghost In The Shell; do artista plástico suíço H. R. Giger, reconhecido pela estética metalizada e futurista de Alien; do cinema expressionista alemão; e das propostas cênicas do encenador polonês Tadeusz Kantor.

O figurino também responde à uma estética futurista fundida à moda elisabetana, com influências do estilista britânico Gareth Pugh.

O grupo Garagem 21 surgiu em 2009, na cidade de São Paulo. Desde o princípio, centra suas pesquisas na investigação da ideia de poder e suas extensões no corpo social. Do ponto de vista estético, procura um híbrido do teatro com outras linguagens, como quadrinhos, videogames, desenhos animados e dança contemporânea, em busca de uma forma de fazer teatro relacionada à transformação social propiciada pelas novas tecnologias e capaz de fomentar um público contemporâneo e alheio ao teatro, além da continuidade do público usual.

Neste período, encenou as seguintes peças: Esperando Godot (2016), Cigarro frio em noites mornas (2012), Fim de partida (2011), Fodorovska (2010), Somente os uísques são felizes (2009) e Sessenta minutos para o fim (2009).

Foi selecionado no Edital ProAC de Circulação 2017 e teve indicação ao Prêmio Shell de Figurino por Esperando Godot, para Telumi Hellen. Apresentou-se também em diversos festivais, como Festival Nacional de Teatro de Ribeirão Preto (SP), Festival de Teatro de Curitiba (PR), Funalfa – Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora (MG), Floripa Teatro (SC), Festival de Teatro de Lages (SC), Festival de Teatro de Campo Mourão (PR), Festival de Teatro de Catanduva (SP), FestCamp (Campo Grande/MS), Festival Nacional de Teatro Pontos de Cultura (Floriano/PI), Mostra Jacareiense de Artes Cênicas (Jacareí/SP), Festival de Teatro da Unicentro (Guarapuava/PR), Festivale – Festival Nacional de Teatro do Vale do Paraíba (São José dos Campos/SP) e Festival Nacional de Comédia (Alegre/ ES). Apresentou-se ainda na primeira e na segunda edição da Festa do Teatro e na edição 2010 da Virada Cultural.

Sob a denominação Cia. de Orquestração Cênica – nome anterior do grupo –, encenou as peças Desconstrução (2007), Sinfonia patética (2007), Diálogo inútil do Abismo com a Queda (2001), Intermezzo (2000), Diário de um louco (2000), Queen – a festa (1999), Millennium (1998), Desimagem (1996) e Subterrâneo (1994).

QUEM FAZ

Projeto contemplado na 10ª edição do Prêmio Zé Renato

Texto: Fernando Arrabal

Direção, tradução e adaptação: Cesar Ribeiro

Elenco: Eric Lenate e Helio Cicero

Direção de produção: Kiko Rieser

Cenário: J. C. Serroni

Desenho de luz: Aline Santini

Figurinos: Telumi Hellen

Preparação de atores: Inês Aranha

Sonoplastia: Raul Teixeira e Mateus Capelo (efeitos sonoros) e Cesar Ribeiro (músicas)

Visagismo: Louise Helène

Assistência de direção: Andre Kirmayr

Assistência de produção: Jaddy Minarelli

Arte gráfica: Patrícia Cividanes


Fotos: Bob Sousa


Registro em vídeo: Nelson Kao


Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Marcia Marques

PROGRAME-SE

Temporada presencial

De 24 de setembro a 24 de outubro de 2021

Sexta a sábado, 20h. Domingo, 19h

Sessão extra: Dia 21 de outubro, às 20h30h

Local: Centro Cultural São Paulo - Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso - São Paulo)

Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e entrada gratuita para estudantes e professores da rede pública de ensino.

Lotação: 128 lugares

Duração: 120 minutos

Classificação: 16 anos

Gênero: tragicomédia

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