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GUILHERME MONTEIRO E UMA VIDA DEDICADA À ARTE E À EDUCAÇÃO

O ator e professor Guilherme Monteiro tem no currículo importantes trabalhos e soma experiências das mais diversas linguagens das artes cênicas. Hoje o Portal Conteúdo troca uma ideia com o profissional, que reflete sobre as oportunidades do mercado cultural brasiliense!

Foi nos corredores da Faculdade Dulcina que Guilherme Monteiro passou a realizar trabalhos acadêmicos que logo se converteram em experiências profissionais, mas o contato com as artes veio antes. O encantamento com a arte cênica surgiu num passeio escolar ao CCBB em 2001. Lá foi apresentado à releitura da obra "Auto da Barca do Inferno", dirigida por Vanessa Di Farias - o que deixou o estudante hipnotizado com as luzes, o cenário, as cores e os figurinos.

"Parecia conto de fadas, mas era muito real. Alí eu decidi que queria fazer aquilo. Estava no 2º ano do Ensino Médio e logo depois teve um teste pro teatro da escola. Passei e foi o início de tudo!", comenta o artista.


A expectativa para se apresentar numa mostra ou festival escolar era muita. Foi nesse período que teve contato com Ge Martu, importante nome do teatro de Brasília que atuava como conselheiro de um festival na unidade de ensino.


Já fora do Ensino Médio, foi, enfim, convidado a participar do Tradicional Festival de Teatro na Escola por intermédio de Leísa Sasso. Assíduo frequentador de teatros, Guilherme assistiu a muitos espetáculos, inclusive os de conclusão de curso da faculdade Dulcina e da UnB. E nessas idas e vindas às mostras, fez o vestibular para as duas faculdades e passou. Como a UnB exigia um tempo quase integral no campus, optou por cursar a Dulcina para trabalhar no turno oposto.


"A faculdade foi um processo muito louco pra mim. Entrei com 20 anos e meu foco era me formar, seguir carreira e correr atrás do tempo perdido. Com isso, eu sempre fui muito nerd, eu lia tudo antes, eu sabia tudo, eu me destacava. Inquieto demais como sempre fui, tive muito êxito nesse período", explica.


Ainda nesse período como estudante da Faculdade Dulcina, viajou com uma turma veterana que se apresentou no Chile, seguindo temporada no extinto Teatro Goldoni com uma peça do universo de Garcia Lorca. Em seguida, atuou na divertidíssima montagem "Café com Torradas" dentro de um espetáculo que unia várias cenas de Gero Camilo, a chamada "ExaGero", dirigida por Alice Stefânia e depois por Gisele Rodrigues. Após a temporada dentro do "ExaGero", a peça ganhou autonomia e foi promovida pelo selo "Dulcina Parcerias Teatrais", uma incubadora cultural que impulsionava trabalhos de destaque dos alunos e professores da faculdade.


"Eu tenho o trabalho de direção na matéria com a Barbara Tavares como meu xodó. Era muito legal me ver nesse papel de dirigir alguém, algo que sempre exerci meio que inconscientemente. Fiz diversos trabalhos que surgiram como performances de gênero com o Sergio Maggio, muiitas coisas. Aproveitei o tempo que tive dentro da FADM. Me formei já às pressas para entregar o TCC e começar a dar aula. Voltei à escola onde comecei a fazer teatro, mas já como professor."


Anos depois surgiu um espetáculo retumbante no DF: "Desbunde", dirigido por Juliana Drummond e Abaetê Queiroz. A montagem trazia um show cênico-musical que mergulhava nos anos do desbunde, quando artistas desafiaram, com deboche e ironia, a ditadura militar. O argumento de Juliana Drummond virou roteiro sob a batuta do dramaturgo Sérgio Maggio. Um sucesso!

"Fizemos 'Desbunde' pormuito tempo. Até 2017 ainda participávamos de festivais. Junto ao 'Desbunde', em 2015 eu estreei o "Encontro às escuras" como diretor no Espaço Pé Direito, que foi muito bacana também por ter sido o primeiro espetáculo com LIBRAS em Brasília. Continuei em escolas públicas e privadas e emendei com uma websérie no Youtube num canal LGBT independente, que foi outro divisor pra mim."


O sucesso da webserie culminou num novo desdobramento. Com o aval do público de 200 mil inscritos no canal, um internauta gostou tanto da história da personagem Renan que recortou as cenas em que ele aparecia, transformando a série em um “filme”. Só esse recorte tem mais de 260 mil acessos! Se somados, os episódios da série e do "filme" que se desdobrou dela já são mais de 1 milhão de visualizações.


Guilherme resistiu e conseguiu fazer o mestrado com temática LGBT ainda no Governo anterior - o que, por si só, já é uma grande conquista, mediante os notórios ataques do ex-presidente e sua equipe às minorias. Com a mudança de governo, a situação melhorou a nível estrutural, mas não podemos nos esquecer que Brasília é governada por uma direita conservadora e que pouco oportuniza as classes de professores e artistas. Desde então, parece que a conta não bate. Há ventos de progresso por parte de Lula, mas há brisas tímidas de investimento prático via Secretaria de Educação e de Cultura no DF. O dinheiro ainda não chegou na ponta, na linha de frente. Estaciona nas cerimônias de lançamentos de projetos e editais, mais chegar mesmo, não chegou, culminando numa crise generalizada.

"Lula ganhou, mas Brasília elegeu Ibanes e Damares em 1° turno e é esse público que atendo. Ou seja, me tornei um peso em várias escolas. Perdi espaço, trabalho... A ideia fechada de estereótipo me mata porque só recebo convite de casting para ser Garoto de programa, Go-go boy ou qualquer coisa do tipo. Sinto a atual geração de produtores de Brasília ainda fechada, numa ideia meio retrógrada, penso. Penso e sinto na pele, na real. Ao mesmo tempo, amo e fomento demais o teatro de Brasília. Vou, assisto, vejo, quero saber o que tá rolando, admiro, critico... Nunca me abstive de estar presente, mesmo que, por vezes, não me sinta tão pertencente em determinados espaços", finaliza.

 

O ator e professor está de volta a Brasília após uma temporada em outro estado e pronto para o trabalho, que é o que todo artista quer: Mostrar seu ofício com dignidade, força e de maneira continuada!


SIGA GUILHERME MONTEIRO


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