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ESTUDANTES DE SAMAMBAIA ACOMPANHAM OS BASTIDORES DE UMA ÓPERA NO DF

Estudantes do ensino médio compareceram às sessões da ópera "Os Sete Pecados Capitais", que, durante três finais de semana, levou o público do DF de volta ao teatro.

Estudantes do CEM 414 - Foto de Karol Kanashiro

A ópera "Os Sete Pecados Capitais" foi a primeira experiência do gênero a retornar aos palcos do DF na fase de liberações das atividades artísticas pós-pandemia. Obviamente, como o Brasil ainda passa por um processo de adaptação ao retorno gradativo, cada teatro que recebeu o espetáculo adaptou sua estrutura para manter o distanciamento do público e preservar a saúde de todos.


A primeira apresentação foi realizada no Espaço Cultural Lábios da Lua, na cidade do Gama. No final de semana seguinte, a equipe montou a estrutura no Espaço Cultural Pé Direito, que fica na Vila Telebrasília. Já no último final de semana (o de encerramento da temporada), foi a vez do Teatro da Universidade Católica, em Taguatinga, receber a atração.


“Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses”, ou “Die sieben Todsünden”, foi composto por Kurt Weill para um libreto alemão de Bertolt Brecht em 1933. Foi a última grande colaboração entre Weill e Brecht. Quase 1500 anos depois de São Gregório listar os Pecados Capitais, eles são praticados cada vez mais rotineiramente pelas pessoas sem que elas tenham o menor complexo de culpa. Há quem diga que alguns pecados viram até virtudes. A ópera alemã foi adaptada para o português e tem no enredo um contexto que passeia por cidades do DF e de Goiás.


Esta obra, em específico, traduz as facetas de uma personagem, que a pedido de sua família viaja para seis cidades diferentes com o objetivo de ganhar dinheiro para construir uma pequena casa às margens de um rio. Para tal, foram reunidos profissionais do DF, Espanha e Alemanha, valorizando um caráter educativo e inclusivo de forma que desconstrua qualquer tipo de preconceito com o novo, com o diferente.

Professor e estudantes no Teatro da Católica - Foto de Karol Kanashiro

Reproduzir a ópera num contexto brasiliense, democratizando o tema e relacionando os pecados com as cidades brasileiras faz com que a proposta chegue mais fortemente ao novo público consumidor de ópera.


E em Taguatinga, estudantes do Centro de Ensino Médio 414 de Samambaia foram recebidos pela equipe de produtores, artistas e técnicos para um tour pelos bastidores do teatro. Lá, puderam conhecer a maquinária, como as estruturas são montadas, como os artistas se preparam e toda a correria de iluminação e produção. Uma aula de artes dentro do próprio teatro. Ao final de uma das sessões, foi a vez de trocar ideias sobre a experiência. Estudantes e artistas falaram suas dúvidas, curiosidades e interpretações da ópera. Para muitos, foi a primeira experiência num teatro de verdade.

Aula de arte antes e depois do espetáculo - Foto de Karol Kanashiro

Um dos estudantes, Jonathan Araújo, do 2º ano, indagou sobre dualidade entre "as protagonistas" Ana I e Ana II, que possuem personalidades diferentes, mostrando que uma era o alterego da outra. E nada melhor do que ouvir das próprias intérpretes das personagens as visões técnicas e conceituais sobre a proposta. Ainda no bate-papo, Lucas Dias Brasil, estudante que está saindo do 3º ano, comentou sobre as inquietações e sensações de assistir à uma obra alemã com o contexto brasiliense.


O passeio marcou o encerramento do ano letivo de 2021 para alguns dos estudantes e só foi possível graças à parceria entre a produção do espetáculo, a comunicação da Universidade Católica, a equipe de gestores do CEM 414 de Samambaia e o Sinpro DF.


"Os Sete Pecados Capitais" encerra a circulação no DF com êxito, auxiliando no importante retorno do público ao teatro e incentivando a formação de plateias de Brasília e do Brasil.

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