ÚLTIMA SESSÃO DE "AS MAMAS DE TIRÉSIAS" NA OFICINA OSWALD DE ANDRADE

Três atrizes mergulham no drama surrealista de Guillaume Apollinaire para contar a história de Teresa, que amarra seu ex-marido, se veste com suas roupas, sai de casa lutando por liberdade e inicia uma campanha em Zanzibar contra a procriação.

Foto: Arô Ribeiro

A peça As Mamas de Tirésias, escrita em 1903 pelo escritor e crítico de arte francês Guillaume Apollinaire (1880 – 1918) e reconhecida por muitos como a obra que inaugurou o termo surrealismo nas artes, ganhou montagem do diretor André Capuano e encerra a temporada neste sábado, dia 12 de fevereiro, sábado, às 11h, na área externa da Oficina Cultural Oswald de Andrade.

No elenco estão as atrizes Gilka Verana, Ana Paulla Mota e Priscilla Carbone. Também está em cena Almir Rosa como O Povo de Zanzibar, personagem representado pela discotecagem do espetáculo.

O drama surrealista As Mamas de Tirésias conta a história de Teresa, que ao romper com seu marido - um homem alucinado por toucinhos - o amarra, se veste com suas roupas, corta as próprias mamas e reivindica a liberdade assumindo a identidade de General Tirésias. Em seguida, ela inicia uma campanha contra a procriação. Seu marido, numa afronta, gera sozinho dezenas de milhares de bebês macabros. O enredo absurdo se soma a uma escrita fragmentada e em versos, elementos representativos da dramaturgia de Apollinaire.

“O acordo que fizemos quando assumi a direção era de que materializássemos ao extremo todos elementos propostos pelo texto, com cada atriz concebendo cada cena a partir de suas próprias inquietações e vontades artísticas”, conta André Capuano, diretor da montagem.

Além de uma possível leitura sobre o Brasil contemporâneo, a peça também lança um olhar sobre a questão da emancipação feminina. Segundo a equipe, é simbólico que ao ser abandonado por Teresa, seu ex-marido assume para si a responsabilidade de dar conta do mundo e acabe gerando milhares de criaturas macabras.

As Mamas de Tirésias é uma peça de reivindicação e elogio à liberdade do teatro, fundamental em tempos de emergência poética, de sufocamento causado pelo avanço do conservadorismo, do ódio e da intolerância”, diz Gilka Verana. A trilha sonora composta coletivamente é fragmentada e, em seus retalhos, traz desde os sons de uma guerra em processo até músicas brasileiras de artistas como Tim Maia e A Cor do Som. A discotecagem fica por conta do ator e DJ Almir Rosa, que assume o papel do Povo de Zanzibar.

SOBRE A CONCEPÇÃO CÊNICA

Para materializar o absurdo do texto, Capuano apostou em uma estética do precário e do excesso. A cada cena, se sobrepõem figurinos, adereços e objetos utilizados no momento anterior. O acúmulo vai se formando por todo o ambiente cênico e resulta em um amontoado de resíduos. “É a escolha de uma linguagem. O entulho, o lixo e a sensação das sobras diz muito sobre a contradição de discursos, sobre as relações fragmentadas”, conta o diretor. Compõem esse espaço confetes de carnaval, tecidos, groselha, macarrão instantâneo, tomates e muito mais.

As três atrizes interpretam todos os personagens da peça e se alternam em cada um dos papéis. Os figurinos, trocados com frequência, são compostos por roupas puídas, velhas, indicativas desse ambiente inóspito que vai sendo construído.

A peça também propõe duas aproximações diretas com o público. Uma delas é quando as atrizes movem o cenário de forma a transformá-lo em um bar. Se desejarem, as pessoas podem beber algo e comer os petiscos servidos na hora ao som das músicas selecionadas pelo Povo de Zanzibar.

QUEM FAZ

Texto: Guillaume Apollinaire

Direção: André Capuano

Atuação: Ana Paulla Mota, Gilka Verana e Priscilla Carbone

Discotecagem e operação de som: Almir Rosa

Coreografias: Paula Petreca

Direção de arte: André Capuano

Cenografia: Julio Dojcsar

Figurino: Julio Dojcsar, Ana Paulla Mota, Gilka Verana e Priscilla Carbone

Assistência de palco e assistência de produção executiva: Muninn Constantin

Locução: Marcelo Rocha

Fotos: Fábio Amaro, André Capuano, Arô Ribeiro e Jennifer Glass

Produção: Gilka Verana e Weber Anselmo Fonseca

PROGRAME-SE

As Mamas de Tirésias

12 de fevereiro de 2022, sábado, às 11h.

Local: Área externa da Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro, São Paulo).

Ingressos: Grátis (retirar o ingresso na bilheteria com 1h de antecedência). Capacidade: 30 pessoas. Duração: 240 minutos. Gênero: Drama surrealista.

Classificação Indicativa: 18 anos.

AS MAIS LIDAS DA SEMANA...